O tempo passa célere, e daqui a pouco as empresas já estarão programando os eventos de fim de ano.
O tempo especial e único de final do ano contamina também o ambiente corporativo. Nesta época, as pessoas enfeitam as salas com ornamentos natalinos, expõem os cartões recebidos, organizam festas e amigos secretos, ora setoriais, ora gerais.
Tudo bom e perfeito, objetivos de confraternização, de pessoas que querem mostrar o lado fraternal ao aproximar-se a data magna da Cristandade e ao findar um ano de trabalho, de luta, de vitórias, derrotas, acertos, desacertos.
Um tempo, também, de reflexão importante, onde devemos e podemos nos desculpar com aquele colega, cliente, fornecedor, ou amigo sobre a falha ou injustiça cometida (e quem não as comete!). Tempo de aparar arestas e agradecer a especial colaboração que possamos ter recebido de alguém durante os doze meses que se vão.
As iniciativas desses eventos são de pessoas, em particular, ou das corporações, especialmente quando deliberam sobre um churrasco, ou festa, passeio ou jantar de fim de ano. Há dirigentes que acham que esse investimento é extraordinariamente positivo, que vai resolver muita coisa, motivar as pessoas, elevar milagrosamente o astral, e alguns até se encorajam a fazer saudação aos presentes, homenageiam os decanos de tempo “de casa”, contemplando-se a fidelidade.
É bem verdade que o comparecimento é quase sempre bem incentivado pela mídia interna, pelos RHs, pelos chefes, e estimulado por sorteios de prêmios diversos, expostos no restaurante dias antes do evento, aguçando um desejo de ganhar que fica incontido no grupo e, com isso, a certeza da presença.
Entretanto, poucas vezes os subordinados são ouvidos sobre o que, efetivamente, gostariam de fazer a título de confraternização. Muitos não vão às festas, por exemplo, porque elas são exclusivamente para os colaboradores da organização, sem familiares. Outros têm, na negativa da presença, alguma fundamentação religiosa, ou mesmo acham, num rasgo de sinceridade e tristeza, que não vêem motivos para festejar com o grupo.
Como pessoa que atuou e atua há muitos anos no mundo de empresas e em gestão de pessoas vimos muitas histórias, e nada contra esses eventos que, normalmente, agradam àqueles que comparecem.
Entretanto, é preciso deixar claro, especialmente ao dirigente maior que possa estar lendo estas linhas, que as boas relações trabalhistas construímos no dia-a-dia, com as práticas e políticas estabelecidas, com a liderança bem treinada e equilibrada entre o social e a tarefa, sabendo valorizar a cada momento a criatividade do ser humano integral que existe dentro de cada trabalhador.
De nada adiantam festinhas mirabolantes de fim de ano e discursos bem elaborados se a rotina é um inferno, se a gestão é por gritos e ameaças, se os resultados sempre são considerados péssimos, e se não há justiça e recompensa pelos esforços e conquistas.
Melhor seria se o espírito natalino que vai tomando corações pudesse transpor as barreiras e se instalar no cotidiano, melhorando a gestão e levando harmonia à convivência geral em todos os dias e meses de cada ano. Reflitam sobre isso.
Sobre o autor:
Celso Gagliardo - é profissional de Gestão de Recursos Humanos e Comunicações, formado em Direito e especializado em RH, tendo prestado serviços e gerenciado o DRH de importantes empresas nacionais. Atualmente está no Grupo Estrutural. E-MAIL: gagliardo@vivax.com.br