Quantos profissionais você conhece que trabalham excessivamente, que carregam vários celulares ao mesmo tempo, vivem estressados e nunca têm tempo para nada a não ser para o trabalho? Será que eles são, de fato, ótimos profissionais e dão excelentes resultados?
O sucesso no trabalho e na carreira profissional depende da qualidade dos resultados que o profissional apresenta. Essa qualidade decorre de competência, conhecimento, talento, comprometimento, engajamento e, dentre outras coisas, do profissional enquanto pessoa.
Cada vez mais o mercado está buscando “ profissional pessoa” e não mais profissional máquina. Hoje, o conceito do homem enquanto ser humano e cidadão está se inserindo em todas as organizações. O homem no trabalho está sendo considerado como um ser completo e não mais somente como profissional. Não existe o bom profissional sem existir a pessoa.
Ser um ser completo no trabalho significa, antes de tudo, respeitar-se. Respeitar-se significa cuidar da sua qualidade pessoal. Boa educação, boas maneiras, cuidados no relacionamento, respeito com si próprio e com os outros, ética, são itens necessários e fundamentais para formar a base de qualquer carreira profissional.
Nesse conjunto a qualidade de vida se faz presente e é item obrigatório.
Tempos atrás era motivo de orgulho os profissionais dizerem que trabalhavam dia-e-noite, que sem eles a empresa não sobrevivia, que eles eram imprescindíveis. Eles eram os famosos workaholics e quando precisavam se identificar colocavam no lugar do seu sobrenome o nome da empresa. Infelizmente ainda tem gente assim.
Em primeiro lugar, ninguém é o cargo; a pessoa está no cargo. Ninguém é a empresa; a pessoa é o ser humano, tem seu nome, sua identidade; a pessoa está na empresa.
É obvio que ser um bom profissional requer prazer no que faz, compromisso com o que faz e com quem trabalha; mas isso não significa que a pessoa precisa viver exclusivamente o trabalho e abandonar a sua vida pessoal.
Um bom profissional não é mais um workaholic. Ser workaholic hoje em dia é negativo. Um bom profissional sabe separar as coisas. Ele busca desenvolver visão, competência e administrar o seu tempo de maneira a dar o resultado para o qual foi contratado e também para cuidar da sua vida pessoal. Ele cuida da sua saúde física, mental e espiritual; ele cuida das suas relações familiares; ele está em sintonia com o mundo; ele se dá o direito a sentir e viver emoções; ele sabe que, antes de tudo, precisa viver e estar bem para dar um bom resultado onde trabalha. Ninguém consegue dar bom resultado e fazer uma boa carreira se não estiver se sentindo completo, feliz, com saúde.
Empresas de ponta estão buscando profissionais que sejam comprometidos e não mais workaholics.
Buscam pessoas que dedicam parte do seu tempo a cuidar de si, a cuidar de quem ama, a cuidar da comunidade onde vive, a cuidar do meio ambiente, enfim, que não pensem só no trabalho, porque sabem que pessoas completas são mais felizes e produzem melhor. Além do que essas empresas também começam a se voltar para a comunidade e precisam de pessoas engajadas com as questões ambientais e comunitárias.
O profissional de RH tem como responsabilidade despertar essa consciência nos empregados. Quantos profissionais nós ainda temos nas empresas que estão no caminho inverso e não despertaram para essa nova realidade? Que resultados essas pessoas trazem para a empresa ou estão causando para os outros com os quais convivem?
Cabe a nós profissionais da área analisar a nossa realidade e procurar ações para colocar a empresa e as pessoas no novo curso.
Lélio Tocchio
Sobre o autor: Lélio Reinaldo Tocchio é Profissional com mais de 20 anos de experiência na área de RH. Especialista no segmento de serviços.
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