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Janeiro/2010
By Fantoni
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Lélio Tocchio

Ótimo Bom Regular

Como tem acontecido em toda a história, as empresas, para serem sustentáveis financeira e socialmente, dependem das pessoas que a compõem. Essa força que a impulsiona e sustenta vem da motivação dos profissionais, da satisfação deles a ela pertencer, da capacidade de criar, da disseminação e preservação do conhecimento, do respeito, da retenção dos talentos dentre outras coisas.

Seguramente todas essas coisas têm como causa uma boa política interna, uma boa liderança, um discurso com práticas compatíveis, compromisso de todos independentemente de nível e função com resultados e com a sustentabilidade no futuro.

Os gestores lidam com profissionais, na sua maioria pertencentes a uma geração que pensa e age com a velocidade da internet, que têm novos valores, que seguem novas regras, que são questionadores, que enfrentam sistemas hierárquicos tradicionais, que fazem uso direto da tecnologia e se adaptam rapidamente a novas formas de trabalho até então não praticadas etc.  

O conceito físico de empresa com grandes aglomerações de pessoas, com sistemas de cargos e remuneração antigos, com trabalhos vitalícios, finalizou. O importante não é mais estar junto, mas estar conectado na mesma rede, com o mesmo objetivo, gerando o resultado coletivamente planejado, com qualidade de vida. Esse novo jeito de produzir e garantir a sustentabilidade exige também uma nova gestão. Qual é esse líder que consegue atingir os resultados nesse novo momento e conceito? Qual é o RH que sustenta essa nova necessidade, essa nova forma de produzir resultados?

Os gestores precisam tomar decisões de maneira muito rápida, precisam lidar com diferenças, garantir a efetividade da comunicação, assegurar a preservação do conhecimento, cumprir prazos, assegurar a qualidade dos produtos e serviços e fazer diferença. Para isso, precisam de um RH que ofereça verdadeiro suporte e sustentação com velocidade e competência. Um RH que necessariamente, em primeiro lugar,  entenda do negócio mais do que de gente, que seja ágil, altamente flexível, criativo, que saiba lidar com diferenças, que não seja burocrático, que trabalhe por resultados, que seja um grande, seguro, confiável e verdadeiro assessor para os líderes.

Os gestores sabem o que precisam e quando precisam; cabe ao RH prover. Não é mais do RH o papel de decisor, de dono das políticas, daquele que é o único que entende de gente, daquele que sabe o que é necessário e o que deve ser feito. O novo RH simplesmente contribui, facilita, apóia, assessora e ajuda o líder a tomar a melhor decisão.

Quais competências esse novo RH deve ter?

Sem sombra de dúvidas, ser multidisciplinar e não mais generalista. O RH não precisa mais saber fazer tudo; ele deve ser a inteligência e não mais a prática. Hoje se compram a maioria dos serviços; o RH precisa entender e ter domínio de tudo que cerca a organização com relação ao trabalho e às pessoas. É necessário que tenha domínio de sistemas de captação e avaliação de força de trabalho, para que possa garantir o provimento de profissionais adequados e necessários no tempo exigido; é necessário que tenha domínio de sistemas modernos de remuneração, para que possa adaptar conceitos de remuneração por resultado a essa nova geração e a esse novo jeito de trabalho; é necessário que tenha domínio de sistemas de desenvolvimento e de retenção, porque os investimentos em desenvolvimento com foco na sustentabilidade futura são altos e a retenção do conhecimento se faz necessária; é necessário que tenha domínio de conceitos e práticas de sustentabilidade e qualidade de vida, porque é parte integrante da qualidade dos produtos e serviços; é necessário que tenha domínio de políticas e práticas de gestão que assegurem o prazer e o orgulho de pertencer à empresa; porque isso faz grande diferença nos resultados.

Deve conhecer profundamente negócio e o negócio da empresa, porque, suas ações devem passar contribuição para os resultados e segurança para os gestores; deve saber com propriedade o momento atual e o futuro da empresa e do segmento; deve conhecer os pontos fortes e fragilidades, as necessidades para ser uma empresa sustentável e que traga retorno para os acionistas e para a sociedade.

A falta de conhecimento e entendimento de negócio e do negócio por parte de muitos RHs tem feito com que empresas tenham levado para dirigir essa área profissional de outras áreas internas, como da Produção, de Marketing etc.

Deve ser um antecipador de mudanças, estudando as transformações do futuro no segmento e no negócio, e propondo ações e planos de desenvolvimento que venham contribuir para minimizar os impactos sobre as pessoas e sobre os resultados.

É obvio que existem várias outras competências, mas, no meu entendimento, essas são as principais e fundamentais nesse momento de transformação.

Se o RH não se transformar com rapidez e propriedade, e agir dessa maneira,  ele não vai mais sobreviver. Será engolido por outras áreas, como já vem sendo em muitas empresas que já compram todos os serviços burocráticos e decidiram transferir a gestão de pessoas única e exclusivamente para os líderes. Sinal que o RH não estava sendo útil para os resultados do negócio e nem estava sendo mais necessário.

Mudança exige vontade e disposição. É importante aproveitar o momento, a oportunidade, e dar o primeiro passo, enquanto ainda dá tempo.


Sobre o autor:
Lélio Reinaldo Tocchio
é Profissional com mais de 20 anos de experiência na área de RH. Especialista no segmento de serviços.
Presta consultoria a empresas em desenvolvimento e gestão de pessoas. 

E-MAIL:
leliotocchio@uol.com.br
A sustentabilidade das empresas exige um novo RH