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Como Contratar e Ser Contratado?

Renato Lopes

Renato Lopes

Quem nunca passou por um momento de disponibilidade no mercado, olhando diariamente vagas e mais vagas, participando de vários processos seletivos sem saber ao certo se está indo bem ou se existe uma real probabilidade de contratação? Como já passei por isso e hoje recruto muita gente de TI, posso dar um parecer bem realista sobre esses processos analisando os dois lados: dos candidatos e do recrutador.

Em primeiro lugar posso afirmar que o que faz toda a diferença para que a contratação seja um sucesso é o solicitante dizer exatamente o que busca na vaga e quais conhecimentos preliminares e habilidades necessita de seu futuro colaborador. Na maioria das vezes a pessoa que lança a vaga redige exatamente o que o solicitante diz, sem uma análise prévia ou interpretação. Mas, muitas vezes o próprio solicitante não sabe exatamente o que precisa para a função, falta foco e objetivo na maioria dos anúncios. E o resultado disso? Um apanhado de palavras técnicas relacionadas a habilidades não congruentes. Veja um exemplo:

 “Precisa-se de programador na área de desenvolvimento web, como conhecimento em redes, infraestrutura, banco de dados, cabeamento, gestão de projetos, com visão analítica e sistêmica. Certificação ITIL e conhecimento SOX será um diferencial”.

Estava aguardando neste exemplo de vaga acima o conhecimento em hidráulica, elétrica e construção civil, o que não me espantaria tamanha desconexão do enunciado. O que podemos ver aqui é um profissional multitarefas que poderá trafegar em todos os ambientes. Mas, a grande questão é: será que, com todo esse conhecimento, ele poderá executar tudo ou apoiar? Será que, ao ser contratado, ele estará praticando todas essas habilidades? Será que era isso mesmo que o solicitante queria quando abriu essa vaga? Será que o RH entendeu a fundo ou só transcreveu, já que foi lhes passado quase uma sopa de letrinhas?

Ao lançar uma vaga, a mesma precisa ser objetiva, direta e esclarecer o que é obrigatório e o que é diferencial. As habilidades pessoais devem estar congruentes com a função. Porém, a dúvida se essas habilidades existem mesmo ou não no candidato só serão atestadas com a aplicação de testes e na própria entrevista, onde se mostra nuances dessas habilidades.

Com a apresentação da oportunidade de forma clara e detalhando exatamente o que se necessita para cumprir a função, fica claro para ambas as partes o que se espera. E, caso a regra do jogo mude no caminho, é importante o alinhamento das novas regras. Cansei de ouvir muitos colegas de mercado que foram contratados para uma função e executam outra totalmente diferente. Desta maneira é muito difícil se reter talentos, pois a expectativa muda e isso gera uma grande desmotivação.

Para ter, então, uma vaga divulgada com sucesso, seja sucinto, direcionado e busque informações mais detalhadas em um primeiro contato via telefone, para depois marcar uma entrevista presencial. Em muitas empresas o RH faz o papel de filtro com maestria, deixando ao solicitante somente as opções que realmente identificam o que se procura na vaga.

Agora, vamos falar sobre o candidato. Qual é o detalhe que faz toda a diferença? Saber se ele realmente se encaixa no perfil daquela vaga que vai se candidatar. E se por ventura ele notar que ainda lhe falta algum conhecimento técnico para preencher os requisitos, cabe perguntar ao recrutador se haverá tempo para que ele o desenvolva dentro da empresa. Uma opção muito viável, afinal, a construção do colaborador acaba sendo conjunta e nos moldes da empresa.

Agora, se você enxerga a vaga como perfeita para você e é chamado para uma entrevista, aí vão algumas dicas que eu, como contratante, percebo e dou muito valor, já que faço questão de participar da seleção de minha equipe desde o primeiro contato:

– Se você está buscando uma oportunidade, se interessou por uma vaga e recebeu a primeira chamada da empresa, espera-se que você esteja feliz com essa ligação ou pelo menos entusiasmado, certo? Obviamente pode ser que você não esteja em um bom dia e, se for o caso, peça o retorno do contato em outro momento. Mas nunca, em hipótese alguma, deixe a empresa sentir em um primeiro contato que você não se empolgou com a possibilidade da vaga. Isso não é nada bom para uma primeira impressão.

– Seja sempre cordial. Agradeça e seja natural, sem gírias e nem formal demais.

– Ao ir para a entrevista, chegue com antecedência de 30 minutos – nem em cima da hora, nem duas horas antes. E, caso você tenha qualquer atraso, avise o recrutador com antecedência. Isso demonstra respeito.

– Faça a sua lição de casa: estude a empresa, veja quais prêmios ela ganhou, qual o público alvo, quais são seus valores e visão.

– Na entrevista seja claro em suas respostas. Se não sabe, diga “não sei”, se nunca trabalhou, diga “nunca trabalhei”. Não use o “veja bem” nas questões que desconhece. O famoso “embromation” pode dar uma péssima impressão.

– Nunca fale mal de outras empresas ou de antigos chefes. Isso é extremamente antiético.

– Tire suas dúvidas sobre a vaga e a empresa. A entrevista é um ótimo momento para isso, além de demonstrar interesse para o recrutador.

– E por fim, nunca minta. A “perna da mentira” é mais curta do que você pode imaginar e o mercado de TI é o quintal de casa.

O mercado está cada vez mais competitivo, mas sempre há oportunidades para quem está preparado. Portanto, fique atento, pois sua contratação pode depender de detalhes mínimos ou percepções que podem te levar adiante.

Boa sorte e sucesso!

Sobre o autor:

Renato Lopes, é Gestor da área de TI e acredita que a humanização dessa área é a chave para conquistar equipes de alta performance e auto gerenciáveis. Palestrante e Professor Universitário, Renato busca compartilhar técnicas e soluções para formar times vencedores e entusiastas, buscando a qualidade de vida junto à satisfação do trabalho. 

site: www.renatolopespalestrante.com.br

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