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Diferenças entre Brasil e Itália e a necessidade de super gestores

Gustavo Spinola

Recentemente voltei de uma viagem na Itália e como de costume fiquei atento para conhecer novos negócios e os desafios dos empreendedores por lá. Durante um almoço tive a oportunidade de conhecer o dono de um restaurante que se juntou a mim durante a refeição. Conversamos sobre a viagem, alguns lugares para visitar e negócio, é claro!

Segundo a Eurostat, a Itália recebeu aproximadamente 22 milhões de turistas durante o ano de 2015, em contrapartida o Brasil recebeu 6,6 milhões em 2016, ano que foram realizados os Jogos Olímpicos. Outro fator que chamou a atenção foi a taxa de juros de ambos os países, como a Itália faz parte da zona do Euro, a taxa desta região é 0%, enquanto no Brasil é de 11,25%.

O interessante é perceber o choque dessas variáveis nos negócios. Imagine que você é dono de um restaurante, em um país que recebe 37% do total de sua população de pessoas de outras localidades, estes têm necessidades de se hospedar, alimentar, passeios turísticos, compras, entre outros. Guardadas suas devidas proporções, seria semelhante ao Brasil receber 74 milhões de viajantes todos os anos, ou seja, pouco mais que 11,2 vezes a quantidade de turistas anuais que o Brasil recebeu em 2016.

Suponhamos que você como gestor de uma Trattoria e tem o desafio de definir os melhores fornecedores, contratar uma boa equipe de cozinha, bar, garçons, revisar os pratos e ter os melhores preços. Em um país que grande parte de seus clientes são recorrentes como o Brasil, quedas na qualidade tendem a gerar grandes impactos nas suas vendas, pois os clientes percebendo essa alteração procuram alternativas viáveis para substituir o produto ou serviço. Porém, em uma situação contrária as mudanças propendem a ter menor embate no negócio visto que a chance de recompra era baixa como é o caso da venda para turistas.

Importante frisar que não estou querendo dizer que a qualidade deve diminuir, mas sim que situações do cotidiano dos empresários como contratação de mão de obra, mudança fornecedores, testes de novos produtos, revisão de preços, entre outros, inclina-se a gerar mudança dos serviços e tais riscos são em geral maiores em países como o Brasil devido a maior recorrência do consumo se comparado com outras partes do mundo como, por exemplo, na Itália onde há uma assimetria de informação sobre a veracidade dos serviços.

Ainda durante a conversa, falamos sobre a idealização do restaurante, o projeto, a materialização do estabelecimento e o que me chamou atenção foi a taxa de juros de captação do empréstimo para o lançamento de 6% ao ano. Tenho conversado com diversos empresários e é rara a reunião onde os financiamentos para capital de giro ou aquisição de maquinários não é alvo de críticas com taxas de empréstimos, que em geral fica em torno de 2,5% ao mês ou 34,5% ao ano no conceito de juros compostos.

Neste sentido vamos traçar R$500 mil como meta para o empreendedor começar o seu próprio negócio e deixemos de lado as questões associadas ao risco operacional que tratamos anteriormente, usando as taxas de juros do Brasil e Itália como base, notamos que para essa mesma empresa ser bem sucedida no Brasil precisaria gerar um lucro de R$172,5 mil por ano, enquanto que na Itália esse valor reduziria para R$30 mil. Colocando em outras palavras caso o empresário conseguisse um empréstimo no valor total do investimento e fosse pagar apenas os juros seria necessário gerar R$172,5 mil por ano para honrar os compromissos financeiros no Brasil, valor que é 5,75 vezes maior do que na Itália. Este exemplo demonstra que além do risco operacional as empresas no Brasil têm um grande risco financeiro, afinal errar em terra tupiniquim custa mais do que na terra da pizza.

A grande questão que está por trás destas comparações entre os países não são apenas os riscos, mas sim a maior importância de um bom modelo de gerenciamento nos países em desenvolvimento como o Brasil, por isso, empresários e empreendedores tem maior necessidade de estar constantemente atentos a modernas técnicas de gestão com objetivo de ganhar vantagens competitivas frente aos seus concorrentes. Pense que se sua empresa conseguisse melhorar os processos e aperfeiçoar as equipes conseguindo aumentar a margem de lucro em 1% ao ano, ao final de cinco anos a companhia conseguiria melhorar seus resultados em 5%, de modo que este ganho serviria para outros investimentos no negócio ou até mesmo como dividendos para os sócios.

Recentemente com o cenário desafiador da economia e política brasileira, diversos empreendedores estão procurando melhores formas de gestão seja em cursos de atualização ou na contratação de empresas terceiras como consultorias que conseguem agregar com uma visão externa. O importante é entender que quanto maior o risco de um negócio, melhores devem ser as práticas de gerenciamento, neste sentido, os empresários brasileiros tem o desafio de estar sempre à frente.

Sobre o Autor:

Gustavo Spinola é sócio fundador da RG5, consultoria especializada na reestruturação e potencialização de PMEs.

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