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O Peso do QI na Recolocação Profissional

Tom Coelho

Tom Coelho

“Você é quem você conhece, não o que você faz.”

(Azalba)

Já engordei as estatísticas do desemprego há alguns anos. Eram tempos em que atuava como executivo, ocasião na qual conheci o trabalho das empresas de recolocação profissional.

Foi quando aprendi a preencher adequadamente um currículo, além de ser orientado sobre como me portar em entrevistas. Também passei horas analisando companhias diversas, escolhendo aquelas nas quais gostaria de trabalhar para, ato contínuo, enviar-lhes meu precioso portfólio, agora maquiado e vitaminado, na expectativa de ser convocado.

Ledo engano. Já naqueles tempos, início dos anos 1990, os processos de recrutamento estavam mudando. Currículos aleatoriamente enviados pelo correio ou preenchidos pela internet podem se configurar em pura perda de tempo. Tornam-se lixo, físico ou eletrônico, antes mesmo que alguém leia o nome do remetente.

Pesquisa realizada em abril de 2011 pela Catho Online, com participação de 46.607 profissionais, indicou que 59,4% dos cargos foram preenchidos com base no QI do candidato. Não estamos falando do famigerado “quociente de inteligência”, mas, sim, do “quem indicou”. Networking, relacionamento, estas são as palavras de ordem. Há até quem opte por mudar de emprego graças à confiança depositada em quem lhe fez a indicação. Esses fatos levam-nos a algumas reflexões.

Sempre recebo mensagens de leitores comentando sobre sua insatisfação com a empresa em que trabalham. As queixas vão da falta de reconhecimento e ausência de desafios à baixa remuneração e inexistência de plano de carreira, passando inexoravelmente por problemas de relacionamento interpessoal, seja junto à direção, seja com os próprios colegas.

Estes profissionais vislumbram como única solução pedir demissão e buscar novos horizontes, como se o ambiente fosse a origem de todos os males, acreditando que em outra corporação os mesmos dissabores não acontecerão. Pior, há aqueles que optam pelo desligamento sumário da companhia, passando por uma semana de regozijo até caírem em si e na realidade de que nos assuntos relacionados ao dinheiro, como diria Victor Hugo, é preciso ser prático.

Diante dos fatos, alguns cuidados devem ser tomados para que uma proposta pretensamente interessante não se apresente como uma armadilha:

1. Cheque a oportunidade de trabalho. Verifique se a mesma é concreta e, mais ainda, permanente. Pode tratar-se de uma posição temporária e que não lhe garantirá estabilidade.

2. Pesquise a empresa. A internet é fonte inesgotável de informações. Acesse o site da empresa e, depois, os buscadores, para obter mais informações sobre o perfil da companhia e sua posição relativa no mercado. Dê especial atenção aos valores declarados pela organização a fim de observar se estão alinhados com seus valores pessoais.

3. Dissocie relações afetivas e profissionais. Se a indicação dada foi positiva, ótimo. E fim da história! Não convém associar o nome da pessoa que recomendou você ou lhe sugeriu a vaga durante o processo seletivo ou mesmo após o término deste. Seja grato, mas seja independente.

4. Prefira o pouco certo ao muito duvidoso. A menos que você disponha de uma boa herança ou alguém que lhe sustente, abdicar de uma remuneração lhe trará mais preocupação, angústia e ansiedade. Peça demissão somente após ter firmado sua recolocação.

5. Caia fora na hora certa. Isso não é um jogo de pôquer, mas é um jogo. Se a proposta de trabalho não corresponder às promessas feitas ou não atender aos seus anseios, prepare sua saída o quanto antes evitando prolongar sua insatisfação.

Recorde-se sempre da importância do networking. Na Era da Integração, num mundo sem fronteiras e regido pela conectividade, não são dados ou informações, máquinas e tecnologia, que fazem a diferença. São pessoas. E mais do que isso, relacionamentos. Prova disso é que a mesma pesquisa mencionada no início do artigo indica que mais de 70% dos desempregados utilizam sua rede de contatos networking como meio de procura de emprego. Analogamente, 75% das empresas utilizam como instrumento para divulgação de vaga a indicação de pessoas de dentro e de fora da corporação.

Por isso, cultive o hábito de conversar com estranhos, pessoas que lhe avizinham num saguão de aeroporto ou numa simples fila no cinema ou no banco. Frequente outros ambientes, seja um restaurante, um bar ou um museu, e converse com quem lhe rodeia. E lembre-se sempre de portar cartões de visita. Destas relações fortuitas, pode surgir um novo curso em sua vida.

Sobre o Autor:

Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros.

site: www.tomcoelho.com.brwww.setevidas.com.br

e-mail: tomcoelho@tomcoelho.com.br

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8 Comentários em "O Peso do QI na Recolocação Profissional"

  1. jose maria disse:

    Caro Tom ;

    Nada mais certo do que recorrer de referências do profissional…
    Seu histórico e realizações serão a chave de uma nova oportunidade !

    Lamento apenas dar credibilidade a pesquisa realizada por empresa de consultoria em recolocação que esta cercada de denuncias inclusive com sentenças de indenização por invasão de dados de concorrência que foram usados para anuncio de vagas próprias…. diversos outros processos sobre divulgação de vagas inexistentes e milhares de outras vagas cujo processo seletivo já se concluiu.
    Bons tempos aqueles em que víamos as vagas em jornais que na maioria publicavam os empregadores e a seleção se realizava através de envio de curriculuns que eram analisados pela própria empresa selecionadora !

    Tenho como principio que as minhas referências e não o QI , são frutos de minha trajetória profissional .

  2. Deborah Vasconcelos disse:


    Muito bom !

    Estou cursando RH e as pessoas falam muito de QI para quem nao tem experiencia.

    At.

  3. Harleson disse:

    Infelizmente devemos concordar com o texto muito bem escrito por sinal. Hoje, não adianta muito um belo Currículo e sim uma boa Networking.

  4. Helena Costa disse:

    Concordo, comigo foi desta forma. Parece que todas as informaçoes contidas no curriculo não tem nenhuma importancia. Há sempre de existir alguem pra te indicar.

  5. Elton Wolter.'. disse:

    Muito interessante!!!!! Essa é a verdade hoje em dia, infelizmente. Quem quer um nova oportunidade ou recolocação no mercado de trabalho deve dar uma atenção especial ao Networking. Parabéns pela texto. abçs Elton.’.

  6. André Luis disse:

    Certamente é um texto muito útil, pois com certeza um bom Network hoje faz muita diferença.

  7. Jaqueline disse:

    Com certeza, esses toques que você deu são de extrema importancia para quem quer se desligar de uma empresa. Vale a pena lembrar que após tudo isso ser feito, você precisa estar certo do que fazer e assim ser o mais claro e objetivo a sua chefia. Alias, eles dependem do seu trabalho diariamente.

  8. Ricardo Carvalho disse:

    Sem palavras, é a pura realidade, pois ja senti na pele
    Abraços

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