{"id":10604,"date":"2013-10-01T00:00:18","date_gmt":"2013-10-01T03:00:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/?p=10604"},"modified":"2013-12-29T01:07:10","modified_gmt":"2013-12-29T03:07:10","slug":"a-vida-sem-celular-por-tom-coelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/a-vida-sem-celular-por-tom-coelho\/","title":{"rendered":"A vida sem celular"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.meurhnaweb.com.br\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-10275 aligncenter\" style=\"border: 0px currentColor;\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/rhnydus.gif\" width=\"620\" height=\"82\" \/><\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_10730\" aria-describedby=\"caption-attachment-10730\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-10730 \" alt=\"Tom Coelho\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/tomcoelho.jpg\" width=\"150\" height=\"150\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-10730\" class=\"wp-caption-text\">Tom Coelho<\/figcaption><\/figure>\n<p>No dia 28 de outubro de 2012 meu celular foi furtado. Eu terminara de \u00a0 ministrar uma palestra em um evento aberto e atendia a alguns participantes, \u00a0 como de h\u00e1bito, quando algu\u00e9m sorrateiramente foi ao palco e subtraiu o \u00a0 aparelho que estava dentro do bols\u00e3o frontal de minha mala executiva. Mais \u00a0 ainda, o meliante, provavelmente com apoio de outra pessoa, tamb\u00e9m acessou minha carteira, retirou todo o dinheiro e recolocou-a intacta em rela\u00e7\u00e3o a \u00a0 documentos e cart\u00f5es.<\/p>\n<p>Fui dar por conta do ocorrido cerca de uma hora depois. E, honestamente,\u00a0gostaria de encontrar o protagonista para prestar-lhe toda a minha&#8230; gratid\u00e3o!<\/p>\n<p><b>Li\u00e7\u00e3o 1 \u2013 Simplicidade<\/b><\/p>\n<p>Ap\u00f3s comunicar a operadora de telefonia celular e bloquear o aparelho,\u00a0aproveitei que era um domingo e fui a um shopping para adquirir uma nova\u00a0 carteira. A minha n\u00e3o fora furtada, mas poderia t\u00ea-lo sido. E ao analisar seu\u00a0conte\u00fado, desprovido de dinheiro, topei com diversos cart\u00f5es banc\u00e1rios e de\u00a0empresas, al\u00e9m de documentos de porte n\u00e3o obrigat\u00f3rio. Questionei-me: para que\u00a0carregar tudo isso?<\/p>\n<p>Cheques n\u00e3o s\u00e3o mais utilizados, t\u00edtulo de eleitor s\u00f3 tem serventia a cada\u00a0dois anos, cart\u00f5es de fidelidade podem ser acessados pelo CPF. Assim, era\u00a0preciso esvaziar aquela carteira que, de t\u00e3o magra, precisou ser substitu\u00edda.<\/p>\n<p>Hoje carrego a habilita\u00e7\u00e3o, o cart\u00e3o do conv\u00eanio m\u00e9dico, um cart\u00e3o de cr\u00e9dito\u00a0e um de d\u00e9bito. Fim! E isso nos conduz a uma importante reflex\u00e3o: precisamos \u00a0 resgatar a simplicidade.<\/p>\n<p>Exemplificando, dois ternos e dois pares de sapatos s\u00e3o suficientes para qualquer \u00a0 homem, aliados a cinco camisas sociais e, por vaidade, igual n\u00famero de \u00a0 gravatas. Isso me faz lembrar uma cena do filme \u201cA mosca\u201d, na vers\u00e3o dirigida \u00a0 por David Cronenberg, quando Jeff Goldblum abre seu guarda-roupas \u00a0 evidenciando apenas ternos pretos e camisas brancas, ao que sentencia: \u201cN\u00e3o \u00a0 quero perder tempo pensando no que irei vestir pela manh\u00e3\u201d.<\/p>\n<p><b>Li\u00e7\u00e3o 2 \u2013 Estupidez corporativa<\/b><\/p>\n<p>No in\u00edcio da semana fui atr\u00e1s de repor o aparelho. A tarefa parecia f\u00e1cil, ao \u00a0 menos para mim, pois dentre os in\u00fameros modelos dispon\u00edveis eu sabia \u00a0 exatamente o que desejava: o mais barato, dispon\u00edvel por uma nota de cem\u00a0reais. Por\u00e9m, no momento de fazer a habilita\u00e7\u00e3o, um problema: o servi\u00e7o\u00a0estava bloqueado.<\/p>\n<p>Ocorre que quando fiz o plano corporativo, adquiri tamb\u00e9m um modem para\u00a0acessar a rede atrav\u00e9s de meu notebook. Entretanto, o aparelho n\u00e3o\u00a0funcionava. Ao acionar a operadora, insistiam que eu deveria procurar o\u00a0fabricante do modem! Ap\u00f3s quase um ano sem solu\u00e7\u00e3o e pagando por um servi\u00e7o\u00a0que n\u00e3o utilizava, cancelei-o. Contudo, a operadora insistiu na cobran\u00e7a\u00a0gerando um d\u00e9bito indevido, despropositado e ilegal, que surgiu naquele\u00a0instante como impeditivo para habilitar um novo aparelho.<\/p>\n<p>Dentro deste contexto, ou eu pagava por um d\u00e9bito\u00a0injusto, ou n\u00e3o teria meu n\u00famero de volta. Fiquei com a segunda op\u00e7\u00e3o,\u00a0entrando para a restrita fam\u00edlia dos \u201csem celular\u201d.<\/p>\n<p>Registre-se, neste momento, a incompet\u00eancia da\u00a0empresa de telefonia. Primeiro, ao n\u00e3o reconhecer e buscar solucionar o\u00a0problema com o tal modem. Segundo, por obstar a habilita\u00e7\u00e3o do novo aparelho,\u00a0perdendo receita \u2013 e mais um cliente. Terceiro, por conquistar o direito a\u00a0uma a\u00e7\u00e3o judicial. N\u00e3o tem jeito: empresas continuam sendo p\u00e9ssimas amantes\u00a0de seus clientes. Lutam para conquist\u00e1-los, mas n\u00e3o aprendem a mant\u00ea-los&#8230;<\/p>\n<p>No celular adquirido habilitei um chip pr\u00e9-pago. Hoje, mantenho o aparelho\u00a0\u00a0desligado em meu carro, para utiliza\u00e7\u00e3o exclusiva em caso de eventual\u00a0emerg\u00eancia.<\/p>\n<p><b>Li\u00e7\u00e3o 3 \u2013 Liberdade<\/b><\/p>\n<p>Vamos deixar claro que adoro tecnologia. Quando jovem, era pioneiro em\u00a0adquirir <i>gadgets<\/i>. Tamb\u00e9m aprecio demais a praticidade, a ponto de \u00a0 instalar uma fechadura digital s\u00f3 para n\u00e3o ter que portar chave para entrar\u00a0em casa. Mas estamos nos tornando escravos cibern\u00e9ticos, com uma depend\u00eancia \u00a0 patol\u00f3gica da tecnologia.<\/p>\n<p align=\"center\"><i><br \/>\n<\/i><b><i>\u00c9 preciso desligar dispositivos \u00a0 m\u00f3veis<br \/>\nalgumas horas por dia para<br \/>\npartilhar da companhia de<br \/>\nfamiliares, amigos e de si mesmo.<\/i><\/b><i><br \/>\n<\/i><\/p>\n<p>H\u00e1 anos o computador \u00e9 meu instrumento de \u00a0 trabalho, de modo que j\u00e1 passo tempo acima do aceit\u00e1vel diante dele.\u00a0 \u00a0 Por isso, acho um desprop\u00f3sito ver como os <i>smartphones<\/i> tomaram conta \u00a0 do cotidiano, isolando as pessoas do mundo real, virtualizando as rela\u00e7\u00f5es, \u00a0 minando o di\u00e1logo. E voc\u00ea sabe disso, pois est\u00e1 cansando de ver \u2013 e talvez \u00a0 protagonizar \u2013 as corriqueiras cenas de pessoas em volta de uma mesa de bar \u00a0 sem conversar, apenas dedilhando em suas min\u00fasculas telas.<\/p>\n<p>Viver sem celular fortaleceu meu instinto de planejamento, pois agendo \u00a0 compromissos, organizo-me para comparecer, saio com anteced\u00eancia ou comunico \u00a0 previamente um eventual atraso. Trouxe-me seguran\u00e7a e serenidade, pois n\u00e3o \u00a0 sou interrompido em reuni\u00f5es ou quando estou no tr\u00e2nsito. Permitiu-me a liberdade \u00a0 de ser dono do meu pr\u00f3prio tempo e n\u00e3o ref\u00e9m das demandas de outrem. Ademais, \u00a0 proporcionou-me momentos de intimismo, quando fico imerso em meus pr\u00f3prios \u00a0 pensamentos, ao inv\u00e9s de \u201caproveitar aqueles intervalos para telefonar ou \u00a0 enviar mensagem a algu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>C\u00e9ticos de plant\u00e3o e profissionais que notadamente dependem da comunica\u00e7\u00e3o \u00a0 instant\u00e2nea e em tempo integral dir\u00e3o que \u00e9 balela. E eu lhes direi que, \u00a0 ainda assim, precisam aprender a desligar seus dispositivos m\u00f3veis algumas \u00a0 horas por dia para partilharem da companhia de familiares e de amigos \u2013 al\u00e9m \u00a0 de si mesmos.<\/p>\n<p><strong>Sobre o autor:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tom Coelho <\/strong>\u00e9 educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 17 pa\u00edses. \u00c9 autor de \u201cSomos Maus Amantes \u2013 Reflex\u00f5es sobre carreira, lideran\u00e7a e comportamento\u201d (Flor de Liz, 2011), \u201cSete Vidas \u2013 Li\u00e7\u00f5es para construir seu equil\u00edbrio pessoal e profissional\u201d (Saraiva, 2008) e coautor de outros cinco livros.<\/p>\n<p><strong>site: <a href=\"http:\/\/www.tomcoelho.com.br\/\">www.tomcoelho.com.br<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.setevidas.com.br\/\">www.setevidas.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>e-mail: <a href=\"mailto:tomcoelho@tomcoelho.com.br\">tomcoelho@tomcoelho.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 28 de outubro de 2012 meu celular foi furtado. Eu terminara de   ministrar uma palestra em um evento aberto e atendia a alguns participantes,   como de h\u00e1bito, quando algu\u00e9m sorrateiramente foi ao palco e subtraiu o   aparelho que estava dentro do bols\u00e3o frontal de minha mala executiva. Mais   ainda, o meliante, provavelmente com apoio de outra pessoa, tamb\u00e9m acessou minha carteira, retirou todo o dinheiro e recolocou-a intacta em rela\u00e7\u00e3o a   documentos e cart\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[374,461],"tags":[2042,1747,717,2046,2043,2041,2045,2044],"table_tags":[],"class_list":["post-10604","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-temas-4","category-tom-coelho","tag-cartao-fidelidade","tag-celular","tag-cheque","tag-dispositivo-movel","tag-estupidez-corporativa","tag-furto","tag-liberdade","tag-simplicidade","no-post-thumbnail","entry"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10604","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10604"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10604\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10604"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10604"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10604"},{"taxonomy":"table_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/table_tags?post=10604"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}