{"id":10934,"date":"2013-11-01T00:00:05","date_gmt":"2013-11-01T02:00:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/?p=10934"},"modified":"2013-10-31T23:36:13","modified_gmt":"2013-11-01T01:36:13","slug":"lideres-uma-especie-em-extincao-por-adm-wagner-siqueira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/lideres-uma-especie-em-extincao-por-adm-wagner-siqueira\/","title":{"rendered":"L\u00edderes: Uma Esp\u00e9cie em Extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_10935\" aria-describedby=\"caption-attachment-10935\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-10935 \" alt=\"Adm. Wagner Siqueira\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/wagner.jpg\" width=\"150\" height=\"150\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-10935\" class=\"wp-caption-text\">Adm. Wagner Siqueira<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os esc\u00e2ndalos de todos os dias, amplamente trombeteados pela imprensa em todo o mundo, t\u00eam gravitado em torno de duas quest\u00f5es centrais, vitais para o nosso cotidiano: a corrup\u00e7\u00e3o generalizada, \u2013 governamental e empresarial, nacional e internacional \u2013, e a escassez de lideran\u00e7as.<\/p>\n<p>Vivemos uma crise total dos valores morais no mundo das organiza\u00e7\u00f5es em geral e uma lacuna crescente de refer\u00eancias e de modelos a serem seguidos nas suas dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Essa fal\u00eancia moral e \u00e9tica est\u00e1 a exigir um gigantesco esfor\u00e7o de regenera\u00e7\u00e3o que somente ser\u00e1 vi\u00e1vel se as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e empresariais contarem n\u00e3o apenas com bons gerentes e executivos, mas com l\u00edderes dispostos a assumirem os destinos da sociedade.<\/p>\n<p>Essas duas quest\u00f5es, ou seja, a degrada\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e particulares e a escassez de lideran\u00e7as s\u00e3o confluentes, sin\u00e9rgicas, fecundam-se reciprocamente, uma alimenta a outra. A degeneresc\u00eancia de costumes de indiv\u00edduos e de institui\u00e7\u00f5es cada vez mais se cristaliza. Se houvesse uma lei de determinismo na hist\u00f3ria, talvez a \u00fanica a subsistir fosse a decad\u00eancia e a degenera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso o levantar de trincheiras concretas em defesa da regenera\u00e7\u00e3o das atitudes, dos comportamentos e das a\u00e7\u00f5es de governos e de empresas, de ONGs e de Oscips, de institui\u00e7\u00f5es pias, de benemer\u00eancia e religiosas, enfim, de todas as organiza\u00e7\u00f5es, e, simultaneamente, destacar e exaltar as refer\u00eancias de lideran\u00e7as aut\u00eanticas e genu\u00ednas para a constru\u00e7\u00e3o de um novo tempo, que nos fa\u00e7a sair da senda da desgra\u00e7a a que hoje nos submetemos.<\/p>\n<p>Os especialistas em desenvolvimento de pessoas t\u00eam-se preocupado tanto em capacitar gerentes e executivos eficazes que negligenciam, ou at\u00e9 mesmo esquecem-se, da forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as.<\/p>\n<p>Nunca se falou tanto em l\u00edderes, no papel do l\u00edder, na import\u00e2ncia da lideran\u00e7a. H\u00e1 uma plet\u00f3rica profus\u00e3o de livros sobre lideran\u00e7a, com adjetiva\u00e7\u00e3o de distintos tipos de l\u00edderes. Mas nunca tamb\u00e9m se formou tantos gerentes e executivos para a conforma\u00e7\u00e3o e a rotina, para fazer o que j\u00e1 est\u00e1 no gibi, nos manuais de processos de trabalho, para a repeti\u00e7\u00e3o monoc\u00f3rdia do que j\u00e1 existe e do como \u00e9 feito.<\/p>\n<p>Nunca se falou tanto em empreendedorismo e em atitude empreendedora, mas cada vez mais os ambientes organizacionais s\u00e3o infensos \u00e0 voz e \u00e0 vez, \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o, ao pensamento aut\u00f4nomo, \u00e0 liberdade de inovar e de ousar.<\/p>\n<p>Os programas de desenvolvimento gerencial raramente produzem profissionais que aprendem a mudar a dire\u00e7\u00e3o, a natureza, o car\u00e1ter ou a cultura, a miss\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es. Os nossos gerentes s\u00e3o incapazes de perceber al\u00e9m do trivial e do imediato, do dia a dia, do feij\u00e3o com arroz. Algumas vezes eles podem at\u00e9 mudar, mas n\u00e3o inovar. Aprendem a aperfei\u00e7oar o passado, mas n\u00e3o a modelar o futuro. Aprendem, o mais das vezes, a dar sangue a algo que simplesmente deveria morrer, a institucionalizar o erro, a dar ainda maior efici\u00eancia e compet\u00eancia ao que n\u00e3o mais deveria existir porque est\u00e1 obsoleto e anacr\u00f4nico.<\/p>\n<p>Os verdadeiros l\u00edderes raramente sobrevivem nas organiza\u00e7\u00f5es castradoras da atual sociedade de mercado. Por isso, nossas organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o repletas de gerentes e de executivos, mas vazias de l\u00edderes. Por isso, nossas organiza\u00e7\u00f5es sucumbem d\u00f3ceis ao despotismo de qualquer Z\u00e9 da Silva ousado e audaz que circunstancialmente empolgue o poder no mundo das organiza\u00e7\u00f5es e no universo da sociedade. Vivemos ao sabor de lideran\u00e7as posti\u00e7as do tipo \u201cSass\u00e1 Mutema\u201d ou do \u201cCa\u00e7ador de Maraj\u00e1s\u201d.<\/p>\n<p>O verdadeiro l\u00edder sente-se, a um s\u00f3 tempo, insatisfeito e decidido, insuficiente e confiante, aprendiz e mestre, professor e aluno, interdependente e aut\u00f4nomo, aberto e convicto, neto e av\u00f4, pai e filho.<\/p>\n<p>\u00c9 esta dualidade, aparentemente contradit\u00f3ria, que faz dele uma pessoa \u201cigual\u201d, mas \u201cdiferente\u201d; s\u00f3lida, mas sens\u00edvel; solit\u00e1ria, mas solid\u00e1ria. \u00c9 a simultaneidade desta dualidade que o torna um vision\u00e1rio realista, algu\u00e9m que busca ansiosamente aprender com os outros e ensinar tamb\u00e9m aos outros.<\/p>\n<p>Em verdade, \u00e9 isso que o leva a aprender enquanto ensina e a ensinar enquanto aprende. \u00c9 por isso que o verdadeiro l\u00edder se sente mais forte e confort\u00e1vel num contexto de l\u00edderes aut\u00eanticos e n\u00e3o numa corriola de ab\u00falicos, envolto por um bando de carneiros de balido sonoro e de pelo sedoso.<\/p>\n<p>Qual o paradeiro dos verdadeiros l\u00edderes nos dias atuais? Onde est\u00e3o? Por que sumiram do cotidiano de nossas organiza\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Em verdade, eles est\u00e3o por perto, a nossa volta, pr\u00f3ximos de n\u00f3s, mas n\u00e3o os identificamos facilmente. S\u00e3o vis\u00edveis, iguais a n\u00f3s, mas perdemos a capacidade de perceb\u00ea-los. Olhamos, mas n\u00e3o os vemos. Somos piores do que um cego porque n\u00e3o os queremos ver. Muito menos resgat\u00e1-los para o exerc\u00edcio das verdadeiras miss\u00f5es para as quais se deveriam destinar.<\/p>\n<p>Torna-se dif\u00edcil identific\u00e1-los na medida em que sua autoridade e autonomia se acham cada vez mais corro\u00eddas por for\u00e7as organizacionais, pol\u00edticas e sociais, culturais e institucionais sobre as quais eles exercem pouco ou nenhum dom\u00ednio.<\/p>\n<p>Eis a\u00ed a constata\u00e7\u00e3o c\u00e9tica ou mesmo pessimista de um problema que se dissemina incontrolavelmente nos ambientes organizacionais da gest\u00e3o p\u00fablica ou privada, que amea\u00e7a transformar-se em epidemia a minar todo o universo das rela\u00e7\u00f5es humanas dedicadas \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>Vazia de lideran\u00e7as, mas repleta de gerentes e de executivos, \u00e9 como se a humanidade estivesse pouco a pouco perdendo o controle de seu pr\u00f3prio destino. Temos que sonhar com o renascimento urgente e imposterg\u00e1vel de um novo Homero ou de um Her\u00f3doto que venham, um dia, a serem capazes de mostrar-nos novamente as caracter\u00edsticas e des\u00edgnios, as coer\u00eancias e circunvolu\u00e7\u00f5es dessa humanidade sem dire\u00e7\u00e3o e sem sentido, porque despojada de um efetivo processo de lideran\u00e7a que compatibilize simultaneamente as caracter\u00edsticas e peculiaridades do l\u00edder, dos liderados e da situa\u00e7\u00e3o vivida.<\/p>\n<p>O processo de lideran\u00e7a \u00e9, a um s\u00f3 tempo, fun\u00e7\u00e3o do l\u00edder, dos liderados e da situa\u00e7\u00e3o. O estilo de lideran\u00e7a tem absoluta relev\u00e2ncia sobre os resultados da a\u00e7\u00e3o organizacional, do trabalho em equipe, da motiva\u00e7\u00e3o humana, do trabalho decente, dos n\u00edveis de compromisso e de autenticidade das rela\u00e7\u00f5es sociais existentes no cotidiano.<\/p>\n<p>Hoje, o que ouvimos e distinguimos n\u00e3o \u00e9 a voz un\u00edssona ou o sinal n\u00edtido da lideran\u00e7a, mas uma balb\u00fardia de sons que se contradizem: um violino aqui, um quinteto de metais acol\u00e1, o grito da gangue enfurecida nas galerias, a voz rouca das ruas cansada de tanto pleitear.<\/p>\n<p>O que sabemos com certeza \u00e9 que n\u00e3o podemos esperar o florescimento de uma nova gera\u00e7\u00e3o para verificarmos o que nos acontece. Temos que tentar interpretar e agir em fun\u00e7\u00e3o do burburinho das vozes que se contrap\u00f5em, ousar e reger o coro desarticulado pela anomia, e, portanto, inteiramente desarm\u00f4nico.<\/p>\n<p>Foi-se o tempo em que o l\u00edder podia liderar. E decidir. Hoje, seus sucessores, ainda equivocadamente chamados de l\u00edderes, acham-se acorrentados ou manietados por in\u00fameras limita\u00e7\u00f5es: por exig\u00eancias governamentais crescentemente burocr\u00e1ticas; por \u00f3rg\u00e3os de controle que se superp\u00f5em, repetem-se desnecessariamente, tornando-se muitas vezes o custo do controle superior ao risco; por a\u00e7\u00f5es de movimentos sociais que se autorreferenciam como paladinos da moralidade; por grupos organizados de consumidores, ambientalistas, protetores dos animais, sindicalistas, feministas, de minorias raciais, sexuais e religiosas e assim por diante que se pretendem donat\u00e1rios da verdade e da reden\u00e7\u00e3o dos costumes da sociedade. E lutam por impor as suas quest\u00f5es particularistas ao universo da sociedade e ao mundo das organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As for\u00e7as externas que invadem e dominam o \u00e2mbito de nossas institui\u00e7\u00f5es, concomitantemente com o cipoal de exig\u00eancias burocr\u00e1ticas, o mais das vezes contradit\u00f3rias, s\u00e3o as causas origin\u00e1rias da perda de autodetermina\u00e7\u00e3o de nossas organiza\u00e7\u00f5es e de suas reais lideran\u00e7as.<\/p>\n<p>Assim, as organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o obrigadas a hipertrofiar a sua depend\u00eancia \u00e0s estruturas externas de apoio e de prest\u00edgio para poderem navegar em mares t\u00e3o turbulentos. As concess\u00f5es reiteradas em busca da sobreviv\u00eancia tolhem, debilitam e desgastam as verdadeiras lideran\u00e7as.<\/p>\n<p>Esses grupos de press\u00e3o s\u00e3o intencionalmente fragmentados. Mant\u00eam-se isolados e frequentemente conflitantes entre si. N\u00e3o querem ser parte da sociedade, integrar-se \u00e0 comunidade. Querem apenas ser \u201celes mesmos\u201d, e somente eles, isolados, tribalizados, parte independente e aut\u00f4noma do conjunto social ao qual se recusam pertencer. Ao n\u00e3o se assimilarem efetivamente, querem impor os seus valores e op\u00e7\u00f5es de minoria \u00e0 maioria. Veem-se como a totalidade, quando s\u00e3o apenas partes, e assim se comportam. E os l\u00edderes que se subordinem ao voluntarismo de seus desejos. \u00c9 o que fazem ami\u00fade!<\/p>\n<p>Rela\u00e7\u00f5es institucionais t\u00e3o fragment\u00e1rias, constitu\u00eddas por grupos e fac\u00e7\u00f5es, e de m\u00faltiplas reivindica\u00e7\u00f5es, est\u00e3o a nos dizer da impossibilidade de assimila\u00e7\u00e3o das multid\u00f5es diversificadas e segmentadas que constituem a sociedade moderna.<\/p>\n<p>Claro, esses grupos agregam indiv\u00edduos que est\u00e3o fartos de serem ignorados, rejeitados, exclu\u00eddos, subordinados. No entanto, eles n\u00e3o mais protestam simplesmente em passeatas e atos p\u00fablicos, realizam intermedia\u00e7\u00f5es e negocia\u00e7\u00f5es, por canais de articula\u00e7\u00f5es e de agrega\u00e7\u00f5es de interesses. Bem mais do que isso: agora abrem processos na Justi\u00e7a, valem-se de uma politiza\u00e7\u00e3o crescente do Judici\u00e1rio, que parece pretender substituir as instancias do Legislativo e do Executivo na cena nacional.<\/p>\n<p>E assim nos tornamos uma sociedade judicializada, litigiosa, na qual indiv\u00edduos e grupos sociais organizados recorrem \u00e0 Justi\u00e7a para solucionar quest\u00f5es, algumas vezes comezinhas, que antes teriam sido facilmente equacionadas em processos particulares de solu\u00e7\u00e3o de conflitos.<\/p>\n<p>Sem pretender considerar o m\u00e9rito de quaisquer dessas causas, o fato dominante \u00e9 irrefut\u00e1vel: as m\u00e3os do administrador est\u00e3o cada vez mais presas por quest\u00f5es jur\u00eddicas reais ou potenciais. Agora \u00e9 preciso primeiro consultar o advogado antes de tomar decis\u00f5es, ainda que rotineiras. Hoje n\u00e3o h\u00e1 gestor p\u00fablico que fique imune sem ser formalmente processado em inst\u00e2ncias administrativas e judiciais. Dentro em pouco, n\u00e3o mais haver\u00e1 tamb\u00e9m gestores privados que n\u00e3o passar\u00e3o por tais vicissitudes, como j\u00e1 acontece crescentemente em organiza\u00e7\u00f5es empresariais particulares de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os em geral e de sa\u00fade em particular.<\/p>\n<p>Os Tribunais de Justi\u00e7a e as inst\u00e2ncias administrativas de controle s\u00e3o, evidentemente, necess\u00e1rios ao estado democr\u00e1tico de direito, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos direitos individuais e \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o dos interesses p\u00fablicos em casos, por exemplo, de neglig\u00eancia, fraude ou quebras de contrato.<\/p>\n<p>No entanto, a confus\u00e3o, a ambiguidade e a complexidade das leis, agravadas pela lentid\u00e3o processual e por interpreta\u00e7\u00f5es conflitantes por partes das esferas julgadoras, conduzem \u00e0 paralisia institucional. Quando n\u00e3o, o mais das vezes, essas inst\u00e2ncias, como usualmente fazem os representantes do Minist\u00e9rio P\u00fablico, pretendem substituir atrav\u00e9s das TACs \u2013 tais bizarros Termos de Ajuste de Conduta \u2013 a dire\u00e7\u00e3o, o conhecimento e as capacidades das pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es sobre as quais se arvoram determinar os seus destinos e impor a sua vontade \u00e0 luz de seus crit\u00e9rios jurisdicistas claramente equivocados, inexperientes e leigos.<\/p>\n<p>Muitas de nossas organiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o claramente fazendo \u00e1gua em decorr\u00eancia dessa invas\u00e3o de for\u00e7as externas alien\u00edgenas.<\/p>\n<p>Sabemos muito bem o que a depend\u00eancia externa causa nas pessoas: incapacidade para controlar o pr\u00f3prio destino.<\/p>\n<p>Cada vez se tornam maiores as necessidades de acenos externos, de sugest\u00f5es, de recompensas e de puni\u00e7\u00f5es. As ger\u00eancias evitam qualquer comportamento e a\u00e7\u00e3o para os quais n\u00e3o concorram apoios externos. As birutas passam a se orientar apenas pelos ventos externos que sopram l\u00e1 fora dos muros das organiza\u00e7\u00f5es. N\u00e3o havendo sinais externos de aprova\u00e7\u00e3o, elas vegetam, tornam-se catat\u00f4nicas, imobilizadas pela pa\u00fara paralisante \u201cdo medo do que v\u00e3o pensar e dizer\u201d os nossos parceiros e\u00a0<i>stakeholders<\/i>.<\/p>\n<p>O mesmo ocorre com as organiza\u00e7\u00f5es e suas lideran\u00e7as: sob a submiss\u00e3o de normas coercitivas de car\u00e1ter legal, burocr\u00e1tico, administrativo e pol\u00edtico, mais pela busca desmesurada de obedi\u00eancia ao que seja considerado politicamente correto pela sociedade, elas sofrem dos mesmos efeitos de paralisia catat\u00f4nica. Tanto faz ser a organiza\u00e7\u00e3o p\u00fablica ou privada, sejam os controles leg\u00edtimos ou n\u00e3o, sejam as restri\u00e7\u00f5es adequadas ou n\u00e3o, subsiste apenas uma conclus\u00e3o inescap\u00e1vel: esse cipoal de controles e de constrangimentos (mesmo quando bem intencionados) leva inelutavelmente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es lobotomizadas.<\/p>\n<p>O que a sociedade, seus legisladores, pol\u00edticos, juristas e jornalistas, e principalmente a dita opini\u00e3o p\u00fablica, n\u00e3o parecem compreender \u00e9 que todas essas restri\u00e7\u00f5es tratam apenas dos efeitos e n\u00e3o das causas dos pecados praticados e dos cometimentos de il\u00edcitos e de irregularidades. N\u00e3o tratam dos pecados da omiss\u00e3o. Esses, por certo, s\u00e3o bem mais dif\u00edceis de tratar. E, certamente, s\u00e3o eles os dutos principais pelos quais as organiza\u00e7\u00f5es se esvaem sistematicamente.<\/p>\n<p>\u00c9 extremamente complexo, na pr\u00e1tica, distinguir o erro honesto do intencional ou deliberado. Correr um risco leg\u00edtimo pode levar um executivo \u00e0 cadeia. Por outro lado, \u201cjogando no seguro\u201d, s\u00f3 fazendo \u201co politicamente correto\u201d, n\u00e3o correndo qualquer risco, muito menos ousando, ficando sempre na onda, como uma \u201cMaria vai com as outras\u201d, uma institui\u00e7\u00e3o, um l\u00edder, um profissional podem evitar o erro e a cr\u00edtica, e, se continuarem assim na conformidade ser\u00e3o provavelmente promovidos por nunca se exporem, se bem que \u00e0 custa de renunciar a viver. Exaltamos a ode \u00e0 omiss\u00e3o, \u00e0 autoprote\u00e7\u00e3o, \u00e0 exacerba\u00e7\u00e3o do l\u00edder factoide, que teatraliza uma compet\u00eancia gerencial que efetivamente n\u00e3o mais possui.<\/p>\n<p>Na propor\u00e7\u00e3o em que os sistemas pol\u00edtico e legal, as inst\u00e2ncias formais de controle e de auditoria, se tornam mais focados nos desvios de cometimento, a ponto de j\u00e1 se perceber uma dram\u00e1tica mudan\u00e7a de precau\u00e7\u00e3o do consumidor em rela\u00e7\u00e3o ao vendedor para exacerbar-se a precau\u00e7\u00e3o do vendedor em rela\u00e7\u00e3o ao consumidor, no dil\u00favio de uma legisla\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o ao consumidor cada vez mais exigente, em a\u00e7\u00f5es por mau servi\u00e7o, no movimento de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, nas decis\u00f5es judiciais de indeniza\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos causados por produtos e servi\u00e7os inadequados, os fornecedores se desestabilizam diante dos custos da incerteza e dos erros genu\u00ednos j\u00e1 em si mesmos muito altos para suportar.<\/p>\n<p>Uma sociedade que exacerba o lit\u00edgio n\u00e3o s\u00f3 reduz a contribui\u00e7\u00e3o e a for\u00e7a das organiza\u00e7\u00f5es, como talvez lhes acarrete sequelas irrecuper\u00e1veis e de dif\u00edcil supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Procuramos nos acomodar \u00e0 constata\u00e7\u00e3o equivocada de que todos os nossos problemas vividos numa sociedade de mercado globalizada, nossas falhas, perdas, inseguran\u00e7as, becos sem sa\u00edda, oportunidades perdidas, iniquidades, disfun\u00e7\u00f5es e desequil\u00edbrios, nossas incapacidades e incompet\u00eancias possam ser sempre atribu\u00eddos a um \u201coutro algu\u00e9m\u201d, possam ser imputados ao imponder\u00e1vel, invulner\u00e1vel, acachapante e invis\u00edvel \u201csistema\u201d, que em linguagem de lugar comum, chamamos de neoliberalismo. T\u00e3o c\u00f4modo e apassivante para as nossas pr\u00f3prias consci\u00eancias! E t\u00e3o simplista, para n\u00e3o dizer simpl\u00f3rio.<\/p>\n<p>L\u00edderes, uma esp\u00e9cie em extin\u00e7\u00e3o, est\u00e3o espalhados em distintas atividades de consultoria e de\u00a0<i>mentoring<\/i>, de\u00a0<i>coaching<\/i>\u00a0e de\u00a0<i>counseling<\/i>, de media\u00e7\u00e3o e de arbitragem. Contemporizam, pleiteiam, v\u00e3o aqui e ali, apartam dissens\u00f5es, estimulam encontros em meio a tantos desencontros.<\/p>\n<p>Antes de tudo, por\u00e9m, induzem pessoas por meio de medo ou da venda de ilus\u00f5es. Acompanham tend\u00eancias e fazem da inautenticidade a pr\u00e1tica do cotidiano. Tornam-se especialistas em dissimular o que pensam, jamais expressam com genuinidade as suas opini\u00f5es e convic\u00e7\u00f5es. Est\u00e3o sempre com o radar ligado para agradar aos seus\u00a0<i>stakeholders<\/i>. Na arte da guerra, em vez de se dedicarem \u00e0 estrat\u00e9gia do ataque e do avan\u00e7o, da luta de conquista, preferem posi\u00e7\u00f5es conservadoras das trincheiras de autodefesa.<\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e3o mais \u00e0 altura do tamanho das crises que vivemos. Focados no maquiavelismo do sucesso pessoal n\u00e3o titubeiam diante das repercuss\u00f5es inadequadas que suas a\u00e7\u00f5es possam ocasionar aos circunstantes, principalmente \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es a que prestam servi\u00e7os. E, assim, j\u00e1 n\u00e3o temos mais l\u00edderes para empolgarem institui\u00e7\u00f5es que efetivamente se defrontem com as crises do nosso tempo.<\/p>\n<p><strong>Sobre o autor:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Adm. Wagner Siqueira: <\/strong>Vereador pelo Rio de Janeiro. Atual Presidente do Conselho Regional de Administra\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro e Membro da Academia Brasileira de Ci\u00eancias da Administra\u00e7\u00e3o. Foi Secret\u00e1rio de Administra\u00e7\u00e3o, Presidente do Riocentro e Secret\u00e1rio de Assist\u00eancia Social da Prefeitura do Rio. Consultor de organiza\u00e7\u00f5es e autor de livros e diversos artigos sobre as ci\u00eancias da Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>site: <a href=\"http:\/\/www.wagnersiqueira.com.br\/\">www.wagnersiqueira.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>e-mail: <a href=\"mailto:wagners@attglobal.net\">wagners@attglobal.net<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.meurhnaweb.com.br\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border: 0px currentColor;\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/rhnydus.gif\" width=\"620\" height=\"82\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os esc\u00e2ndalos de todos os dias, amplamente trombeteados pela imprensa em todo o mundo, t\u00eam gravitado em torno de duas quest\u00f5es centrais, vitais para o nosso cotidiano: a corrup\u00e7\u00e3o generalizada, \u2013 governamental e empresarial, nacional e internacional \u2013, e a escassez de lideran\u00e7as.<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,901],"tags":[612,2745,2102,1570],"table_tags":[],"class_list":["post-10934","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-lideranca","category-wagner-siqueira","tag-etica","tag-lideranca","tag-moral","tag-sociedade","no-post-thumbnail","entry"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10934","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10934"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10934\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10934"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10934"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10934"},{"taxonomy":"table_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/table_tags?post=10934"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}