{"id":11826,"date":"2014-03-01T00:00:05","date_gmt":"2014-03-01T03:00:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/?p=11826"},"modified":"2014-02-27T23:01:14","modified_gmt":"2014-02-28T02:01:14","slug":"aperte-os-cintos-sua-profissao-vai-sumir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/aperte-os-cintos-sua-profissao-vai-sumir\/","title":{"rendered":"Aperte os Cintos: sua profiss\u00e3o vai sumir"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_11827\" aria-describedby=\"caption-attachment-11827\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11827 \" alt=\"Eduardo Zugaib\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/eduardozugaib1.jpg\" width=\"150\" height=\"150\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11827\" class=\"wp-caption-text\">Eduardo Zugaib<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Vinte anos atr\u00e1s eu terminava a faculdade de comunica\u00e7\u00e3o e iniciava no meu primeiro trabalho na \u00e1rea, conseguindo uma vaga no principal jornal da minha cidade. A inform\u00e1tica aos poucos tomava conta das empresas e o setor de comunica\u00e7\u00e3o, pela agilidade exigida pelo neg\u00f3cio, incorporava com mais velocidade os recursos tecnol\u00f3gicos que viessem facilitar a vida de quem nele trabalhava. A promessa era basicamente essa: turnos de trabalho mais humanos e uma sonhada volta mais cedo para casa.<\/p>\n<p>Eu acabara de completar um curso de editora\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica, aprendendo um pouco do software que era a ent\u00e3o refer\u00eancia: o Aldus Pagemaker. Tamb\u00e9m havia aprendido, aos trancos e barrancos do autodidatismo, um software de ilustra\u00e7\u00e3o, o Corel Draw, na \u00e9poca em sua vers\u00e3o 3.0. E foram exatamente essas duas compet\u00eancias que, naquele ano, garantiram minha primeira experi\u00eancia profissional.<\/p>\n<p>Dia da entrevista. Perguntei ao futuro chefe se outros curr\u00edculos haviam chegado, em resposta ao an\u00fancio publicado nos classificados do pr\u00f3prio jornal durante algumas semanas.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>Fora o seu? Ah, recebemos o de uma arquiteta que \u2018mexe\u2019 com 3D. Mas voc\u00ea tem nossa prefer\u00eancia, porque al\u00e9m das ferramentas, tamb\u00e9m est\u00e1 estudando publicidade e propaganda. <\/em><\/p>\n<p>Como o trabalho consistia na cria\u00e7\u00e3o, reda\u00e7\u00e3o e diagrama\u00e7\u00e3o de an\u00fancios para o pr\u00f3prio jornal, fui contratado, passando a trabalhar na segunda-feira seguinte a essa conversa.<\/p>\n<p>Pausa. Vamos dar um pulo em 2014.<\/p>\n<p>Mat\u00e9ria da BBC Brasil publicada neste in\u00edcio de ano aborda pesquisa da Universidade de Oxford, que aponta quais as profiss\u00f5es com maior risco de desaparecerem devido aos avan\u00e7os da tecnologia. No estudo, foram avaliadas 702 profiss\u00f5es, retiradas de uma classifica\u00e7\u00e3o americana. Entre as que possuem grandes chances de serem afetadas nos pa\u00edses de primeiro mundo est\u00e3o as profiss\u00f5es com baixa qualifica\u00e7\u00e3o, que ainda s\u00e3o a grande realidade de pa\u00edses pobres ou emergentes, os quais exportam, entre outros \u201ccommodities\u201d, a m\u00e3o-de-obra barata.<\/p>\n<p>Salvam-se por enquanto, do assustador progn\u00f3stico, profiss\u00f5es que requerem habilidades sociais que n\u00e3o puderam \u2013 at\u00e9 agora &#8211; ser informatizadas. Entre elas est\u00e3o a capacidade de perceber a rea\u00e7\u00e3o das pessoas e entender suas causas, de negociar, reconciliar e persuadir, e de cuidar dos outros, dando suporte emocional e m\u00e9dico. Guarde essa informa\u00e7\u00e3o com voc\u00ea por enquanto e vamos voltar vinte anos novamente no tempo.<\/p>\n<p>A minha contrata\u00e7\u00e3o pelo jornal era apenas uma das pontas de uma movimenta\u00e7\u00e3o muito maior que ocorria ali. O per\u00edodo que l\u00e1 permaneci coincidiu praticamente com o per\u00edodo da desativa\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es de revisor de textos e de fotocompositor, atividades que iriam ser informatizadas e que, justamente por isso, demandariam na demiss\u00e3o de algo entre quinze e vinte profissionais. A revis\u00e3o passaria a ser feita diretamente pelo jornalista, com o apoio de ferramentas digitais. A diagrama\u00e7\u00e3o, por sua vez, deixaria de ser produzida nas fotocompositoras e passaria a ser feita diretamente na p\u00e1gina do jornal, por profissionais que dominavam as ent\u00e3o novas ferramentas. Na cadeia que envolvia esse processo, tamb\u00e9m seriam extintas as fun\u00e7\u00f5es de montador (past-up) e de operador de fotolito. Em resumo: viv\u00edamos o exato momento da extin\u00e7\u00e3o de profiss\u00f5es que, durante d\u00e9cadas, pareciam \u00e0 margem de qualquer perigo. A transi\u00e7\u00e3o foi programada para acontecer durante algumas semanas, sendo que ao final de cada uma delas dois ou tr\u00eas profissionais eram desligados da empresa. Em todos, a mesma testa franzida e muitos quilos de preocupa\u00e7\u00e3o: O que farei agora? O que vai ser da minha vida?<\/p>\n<p>De volta para o \u2018futuro\u2019, ao hoje, proponho o seguinte questionamento: Voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar o quando sua profiss\u00e3o tem de sobrevida? Estar atento aos fatores macroambientais que a afetam \u00e9 fundamental para que voc\u00ea saiba e possa se programar a cada ciclo \u2013 seja ele tecnol\u00f3gico, cultural ou ambiental &#8211; quais ser\u00e3o as compet\u00eancias exigidas.<\/p>\n<p>O estudo da BBC mostra que as habilidades interpessoais est\u00e3o, mais do que nunca, na ordem do dia, colocando-nos em um ponto sem volta da j\u00e1 t\u00e3o falada Intelig\u00eancia Emocional. Isso j\u00e1 \u00e9 levado em considera\u00e7\u00e3o nas entrevistas e processos de sele\u00e7\u00e3o em que, por terem os candidatos um perfil t\u00e9cnico muito parecido, acabam sendo contratados aqueles que tamb\u00e9m trazem na bagagem habilidades como comunica\u00e7\u00e3o, lideran\u00e7a, vis\u00e3o hol\u00edstica, resili\u00eancia, entre outras. Regra v\u00e1lida tamb\u00e9m para a organiza\u00e7\u00e3o que, em meio\u00a0a alguma crise, se v\u00ea obrigada a demitir.<\/p>\n<p>Pense em dois profissionais de TI, \u00e1rea hoje em alta, com uma compet\u00eancia t\u00e9cnica parecida, por\u00e9m um possui um perfil de \u2018dono da bola\u2019 e desagregador e outro \u00e9 <em>hands-on<\/em>, resolvedor e conquista o entorno de forma natural, aparecendo sempre como parte da solu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o do problema. A resposta \u00e9 \u00f3bvia.<\/p>\n<p>Chegamos \u00e0 conclus\u00e3o que, por mais atual e confort\u00e1vel que voc\u00ea se sinta em rela\u00e7\u00e3o ao que voc\u00ea faz, \u00e0 forma que isso tem e \u00e0 din\u00e2mica de condu\u00e7\u00e3o do seu dia-a-dia, sempre h\u00e1 um mundo l\u00e1 fora que n\u00e3o para de evoluir e de tentar encontrar substitutos tecnol\u00f3gicos, cada vez em maior velocidade. Estar atento \u00e0 leitura dos cen\u00e1rios, \u00e0s tend\u00eancias de cada profiss\u00e3o e as compet\u00eancias exigidas torna-se, por si s\u00f3, uma compet\u00eancia capaz de definir os passos a serem dados dentro da mudan\u00e7a, conduzindo-nos de forma consciente atrav\u00e9s dela: a adaptabilidade.<\/p>\n<p>Cedo ou tarde ser\u00e1 preciso renovar, dentro de sua pr\u00f3pria \u00e1rea, ou inovar, buscando caminhos e tend\u00eancias onde sua experi\u00eancia profissional fa\u00e7a sentido. \u00c9 preciso estar atento n\u00e3o apenas ao que fazemos, mas tamb\u00e9m em qu\u00ea nos transformamos ao final de cada per\u00edodo, para n\u00e3o corrermos o risco de sermos especialistas em ferramentas ou habilidades que um dia, no passado, fizeram sentido. Como sabido, o sucesso do passado n\u00e3o garante o sucesso do presente, muito menos presen\u00e7a no futuro. Regra cruel, por\u00e9m sempre v\u00e1lida, para profissionais e empresas.<\/p>\n<p><strong>Sobre o autor:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Zugaib:<\/strong>\u00a0\u00e9 escritor, profissional de comunica\u00e7\u00e3o e marketing, professor de p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o, palestrante motivacional e comportamental. Ministra treinamento nas \u00e1reas de Desenvolvimento Humano e Performance Organizacional.<\/p>\n<p><strong>site:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.eduardozugaib.com.br\/\" target=\"_blank\">www.eduardozugaib.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>e-mail:<\/strong> <strong><a href=\"mailto:falecom@eduardozugaib.com.br\" target=\"_blank\">falecom@eduardozugaib.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.meurhnaweb.com.br\/\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border: 0px;\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/rhnydus.gif\" width=\"620\" height=\"82\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vinte anos atr\u00e1s eu terminava a faculdade de comunica\u00e7\u00e3o e iniciava no meu primeiro trabalho na \u00e1rea, conseguindo uma vaga no principal jornal da minha cidade. 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