{"id":1227,"date":"2007-04-01T21:31:33","date_gmt":"2007-04-02T00:31:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/?p=1227"},"modified":"2011-10-06T11:59:47","modified_gmt":"2011-10-06T14:59:47","slug":"as-implicacoes-da-gestao-de-rh-na-era-pos-industrial-os-imapctos-do-neoliberalismo-e-das-relacoes-comerciais-no-trabalhador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/as-implicacoes-da-gestao-de-rh-na-era-pos-industrial-os-imapctos-do-neoliberalismo-e-das-relacoes-comerciais-no-trabalhador\/","title":{"rendered":"As Implica\u00e7\u00f5es da Gest\u00e3o de RH na Era P\u00f3s-Industrial. Os Impactos do Neoliberalismo e das Rela\u00e7\u00f5es Comerciais no Trabalhador"},"content":{"rendered":"<div><strong><\/strong><\/div>\n<p><strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_1275\" aria-describedby=\"caption-attachment-1275\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/angeloperes1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1275\" title=\"angeloperes\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/angeloperes1.jpg\" alt=\"\u00c2ngelo Peres\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1275\" class=\"wp-caption-text\">\u00c2ngelo Peres<\/figcaption><\/figure>\n<p>I &#8211; Notas Introdut\u00f3rias.<\/p>\n<p><\/strong><\/p>\n<p>Este artigo procura apontar para algumas reflex\u00f5es sobre a import\u00e2ncia de se ter uma pol\u00edtica de RH antenada e sintonizada com o novo mil\u00eanio em curso. Ainda, e, no limite, aponta para a import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o dos gestores das organiza\u00e7\u00f5es nos rumos dessas pol\u00edticas, frente \u00e0 nova ordem econ\u00f4mica e social, bem como \u00e0s novas macro-transforma\u00e7\u00f5es que se apresentam na Era P\u00f3s-Industrial.Ainda, este artigo refletir\u00e1 sobre o papel do RH <em>vis a vis<\/em> a esse novo gestor das organiza\u00e7\u00f5es, bem como a import\u00e2ncia do cliente-consumidor como um dos princ\u00edpios organizadores dessas novas rela\u00e7\u00f5es e\/ou como o novo <em>nexo<\/em> do consumo e das rela\u00e7\u00f5es sociais.Somado a isto, tangenciar\u00e1 a quest\u00e3o do modelo <em>neoliberal<\/em> que nos <em>ronda<\/em> e como mola propulsora desse novo tempo. E, tentar\u00e1 apontar os impactos dessas transforma\u00e7\u00f5es, bem como os conflitos causados na subjetividade do trabalhador, em sua compet\u00eancia, no seu curr\u00edculo, carreira, racionalidade, sofrimento e postura profissional.<strong>II \u2013 Desenvolvimento.<\/strong><strong>O RH e Suas Pol\u00edticas <em>versus<\/em> o Novo Empres\u00e1rio da Era P\u00f3s-Industrial e do Neoliberalismo como Organizador da <em>Nova<\/em> Racionalidade.<\/strong>At\u00e9 o fim dos anos 70, do s\u00e9culo passado, a gest\u00e3o de RH, para os capitalistas, sempre foi uma quest\u00e3o subalterna e que, via de regra, era colocada em segundo plano na administra\u00e7\u00e3o geral das organiza\u00e7\u00f5es.Os gestores da chamada <em>Sociedade Industrial<\/em> s\u00f3 se preocupavam com o lucro e com a acumula\u00e7\u00e3o proveniente desse lucro. O trabalhador era, via de regra, um recurso secund\u00e1rio e perfeitamente substitu\u00edvel. A base desse lucro pode-se afirmar, nessa era, provinha de investimentos em tecnologia, mat\u00e9ria-prima e de esfor\u00e7o humano (trabalho). E, a soma desses tr\u00eas elementos, dessa equa\u00e7\u00e3o, o capitalista, tinha o tal do resultado econ\u00f4mico-financeiro, t\u00e3o desejado e esperado por ele.Somado a isto, e como era de se esperar, as rela\u00e7\u00f5es entre os capitalistas e os trabalhadores, caminhavam para rela\u00e7\u00f5es estritamente assim\u00e9tricas. Por conta disto, a aliena\u00e7\u00e3o e o sofrimento, causados por essa l\u00f3gica capitalista, passou a imperar nas f\u00e1bricas e nos escrit\u00f3rios de ent\u00e3o. E, uma cis\u00e3o entre esses dois lados, tornou-se inevit\u00e1vel.Assim, e a partir desse ju\u00edzo, os capitalistas passaram a ter como \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do lucro que era o centro de tudo, o <em>tecnicismo<\/em> e a <em>ger\u00eancia cient\u00edfica da produ\u00e7\u00e3o<\/em>. As <em>m\u00e1quinas maravilhosas<\/em> e a <em>racionaliza\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da produ\u00e7\u00e3o<\/em>, como o dito acima, passaram a ser o centro organizador de tudo. Para eles, portanto, o homem \u00e9 um ser com dobradi\u00e7as, juntas etc. Dessa forma, como o explicitado acima, o princ\u00edpio organizador dessa nova era, \u00e9 o capital e a acumula\u00e7\u00e3o na forma de lucro (Braverman, 1981:156-157).Por outro lado, a partir da \u00f3tica do trabalhador, no limite, essa nova era se resume como a era do sofrimento, do torpor, do medo e das perdas da refer\u00eancia enquanto indiv\u00edduo. Segundo Dejours, os oper\u00e1rios da linha de produ\u00e7\u00e3o desconhecem a pr\u00f3pria significa\u00e7\u00e3o do trabalho em rela\u00e7\u00e3o ao conjunto das atividades da empresa. E, mais do que isto, suas tarefas n\u00e3o tem a menor significa\u00e7\u00e3o humana e social (2005: 49).Por\u00e9m, e voltando aos nossos dias, e nos utilizando do exposto acima, para que melhor compreendamos o momento presente, a partir da d\u00e9cada de 70, do s\u00e9culo XX, ocorrem significativas mudan\u00e7as no mundo dos neg\u00f3cios. Entre elas, est\u00e1 a globaliza\u00e7\u00e3o, as novas tecnologias e a <em>financeriza\u00e7\u00e3o<\/em> de todas as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais (Gorender, 1997; 312-313), que mudam a cara das organiza\u00e7\u00f5es.Sem entrar em detalhes, essas mudan\u00e7as provocaram (e est\u00e3o provocando) significativas transforma\u00e7\u00f5es no modo de empresariar e administrar as organiza\u00e7\u00f5es. Essas macro-transforma\u00e7\u00f5es tornaram o mundo uma <em>aldeia global<\/em>. O acirramento da competitividade torna-se <em>fator cr\u00edtico de sucesso <\/em>e princ\u00edpio-alvo para todos os empres\u00e1rios deste novo mil\u00eanio.<\/p>\n<p>Proclama-se, a partir de uma <em>nova<\/em> teoria econ\u00f4mica, a soberania virtuosa do mercado e repele-se toda a interven\u00e7\u00e3o do estado<em>.<\/em> Ou seja, instaura-se o modelo <em>neoliberal<\/em> como o novo princ\u00edpio organizador da sociedade e dos homens.<\/p>\n<p>Assim, o neoliberalismo passa a ser um conjunto de pol\u00edticas e processos, que permitem a um n\u00famero relativamente pequeno de interesses particulares virem a controlar a maior parte poss\u00edvel da vida social com o objetivo de maximizar seus benef\u00edcios individuais (McChesney: 2006, 7)<sup>1<\/sup>.Por conta dessas transforma\u00e7\u00f5es, h\u00e1 uma revis\u00e3o do modo de empresariar e de produzir do capitalista dessa nova era. Para facilitar a compreens\u00e3o do que exponho, cito alguns pontos importantes:\u00a0<\/p>\n<ul>\n<li><em>Aldeia Global e a globaliza\u00e7\u00e3o<\/em> &#8211; O capitalista passa a ter a correta percep\u00e7\u00e3o (e a consci\u00eancia) de que o mundo agora \u00e9 verdadeiramente global. Seus concorrentes n\u00e3o s\u00e3o mais s\u00f3 as empresas \u201cdo outro lado da rua\u201d ou \u201cdo bairro\u201d. Eles est\u00e3o em toda parte do globo;<\/li>\n<li><em>Os Avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e a tecnologia da informa\u00e7\u00e3o<\/em> &#8211; O capitalista, neste ambiente competitivo, passa a ter a necessidade de adotar novas tecnologias e novas metodologias de trabalho e de produ\u00e7\u00e3o. A <em>acumula\u00e7\u00e3o flex\u00edvel<sup>2<\/sup><\/em> passou a ser o conceito central da produ\u00e7\u00e3o e do capitalismo <em>neoliberal<\/em>. Dessa forma e, por conta disso, at\u00e9 as rela\u00e7\u00f5es de trabalho e de emprego s\u00e3o impactadas de forma \u00edmpar e inequ\u00edvoca. Entramos em uma franca fase de desemprego estrutural;<\/li>\n<li><em>Gerenciamento de mudan\u00e7as<\/em> \u2013 O capitalista passa a aprender a gerenciar as mudan\u00e7as de forma mais pr\u00f3-ativa, bem como a entender que os <em>ciclos de vida dos produtos<\/em> s\u00e3o menores. Portanto, a tomada de decis\u00e3o passa a ser um ativo importante dessa nova l\u00f3gica;<\/li>\n<li><em>Capital humano<\/em> \u2013 O capitalista passa a desenvolver (investir) e a capacitar pessoas. Ou seja, o capitalista passa a perceber a import\u00e2ncia de se ter uma pol\u00edtica agressiva de RH no sentido de atrair e manter capital humano, a fim de melhor atender ao cliente-consumidor neste cen\u00e1rio global e turbulento, onde a compet\u00eancia virou <em>moeda<\/em> de troca e esse novo ator passa a ser o novo (e grande) <em>nexo<\/em>;<\/li>\n<li><em>Capacidade de rea\u00e7\u00e3o \u00e0 concorr\u00eancia<\/em> \u2013 O capitalista passa a desenvolver a <em>expertise<\/em> e a capacidade de reagir aos <em>ataques<\/em> da concorr\u00eancia com mais rapidez, bem como seu foco passa a ser a excel\u00eancia e a inova\u00e7\u00e3o. Passa, tamb\u00e9m, a investir em fideliza\u00e7\u00e3o, qualidade no atendimento e numa pol\u00edtica agressiva de respeito ao consumidor, bem como investir significativos recursos em <em>marketing<\/em> e outros; e<\/li>\n<li><em>Gest\u00e3o dos Custos<\/em> <em>e dos Lucros<\/em>\u2013 O capitalista passa a perceber e entender que conter custos, maximizar lucros, estudar aspectos ligados \u00e0 lei da oferta e da demanda etc, s\u00e3o importantes e imprescind\u00edveis como <em>expertises<\/em> desses novos tempos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Assim e, a partir dos pontos elencados acima, no que diz respeito \u00e0 gest\u00e3o empresarial, ter pol\u00edticas de RH claras e antenadas com os novos tempos, virou necessidade premente desses capitalistas neoliberais. Ou melhor, e por esta raz\u00e3o, investir numa \u00e1rea de RH virou \u201cpalavra de ordem\u201d. Visto que, ter pessoas qualificadas para esse novo momento n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 mais importante: \u00e9 crucial para a sobreviv\u00eancia das organiza\u00e7\u00f5es.<strong>O <em>P\u00eandulo<\/em> <em>versus<\/em> o Homem com \u201cAlma\u201d e Intelig\u00eancia. <\/strong>N\u00e3o cabe aqui detalhar demais o que \u00e9 uma \u00e1rea de RH <em>antenada e sintonizada<\/em> com as novas demandas deste novo mil\u00eanio. Isto pode ser encontrado em qualquer livro de RH. N\u00e3o \u00e9 disto que trato neste artigo, como cerne.Este artigo trata de uma reflex\u00e3o sobre a import\u00e2ncia de se ter pol\u00edticas de RH que vislumbrem a melhor compreens\u00e3o desse novo mundo, bem como o traduzam. Ou seja, cabe ao RH entender e exprimir a organiza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de pol\u00edticas. Isto porque tanto os empres\u00e1rios, quanto os trabalhadores, os clientes e etc., t\u00eam expectativas e desejos. E, \u00e9 um dos desafios do RH, traduzir em pol\u00edticas estes interesses que muitas das vezes s\u00e3o conflitantes.Quero dizer, na Era P\u00f3s-Industrial, mais do que nunca, o profissional de RH dever\u00e1 ser um <em>mediador de satisfa\u00e7\u00f5es e expectativas<\/em>.Este novo papel do RH \u00e9 mais ou menos como a met\u00e1fora de um <strong><em>p\u00eandulo<\/em><\/strong>. Ou seja, deve oscilar para a compreens\u00e3o das quest\u00f5es do capitalista-investidor que tem, em sua cabe\u00e7a, a preocupa\u00e7\u00e3o com os resultas econ\u00f4mico-financeiros neste mundo turbulento e <em>nervoso<\/em>. E, ora, oscila, para o entendimento das quest\u00f5es do trabalhador.H\u00e1 que se entender que gerir pessoas n\u00e3o \u00e9 repetir a velha f\u00f3rmula do conjunto de regras sem nexo, alienadas e pasteurizadas da era passada. Estas pol\u00edticas n\u00e3o poder\u00e3o mais ser heran\u00e7as de Taylor e Fayol. E, muito menos da execrada Qualidade Total, imposta a todos n\u00f3s no fim dos anos 70 e in\u00edcio dos anos 80, do s\u00e9culo XX. Na verdade, esta panac\u00e9ia pensava (e tratava) <em>gente<\/em> como rob\u00f4. Na verdade, ao que parece, a QT \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o do modelo <em>fordista, <\/em>s\u00f3 que com nova cara, <em>modelito<\/em> e discurso.Assim, podemos afirmar, que n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel ter empresas competitivas nessa nova era, que ainda cismem em pensar que aqueles manuais \u201ccheios\u201d de regras <em>fordistas <\/em>nos levar\u00e1 a algum lugar. Na verdade, estes manuais, no m\u00e1ximo, replicam conceitos ultrapassados de que o homem \u00e9 a extens\u00e3o das m\u00e1quinas. E, como sabemos de cor, o ser humano transcende a isto!Assim, \u00e0quela l\u00f3gica do discurso repetitivo e manualizado, voltado \u00e0 rela\u00e7\u00e3o com o cliente, deve ser esquecida pelo RH. Esta pr\u00e1tica deve ser enterrada no mais fundo dos mares, para sempre. Na nova l\u00f3gica empresarial, tanto o empres\u00e1rio, quanto o RH, o acionista, etc., dever\u00e3o perceber que o trabalhador quer \u201cparceirizar\u201d as rela\u00e7\u00f5es.Dito de outra forma, o trabalhador na nova era, quer enterrar o que Sennett apregoa em seu livro \u201cA corros\u00e3o do car\u00e1ter\u201d. Ou seja, aquele modelo de trabalhador: vazio, precarizado, sem moral, sem princ\u00edpios \u00e9ticos, sem horizontes, etc.Na verdade, o trabalhador da Era P\u00f3s-Industrial prefere n\u00e3o ser encarado como uma <em>m\u00e3o-de-obra<\/em> vazia e sem alma. Na nova era, o trabalhador \u2013 por for\u00e7a dos novos <em>nexos<\/em> e das novas rela\u00e7\u00f5es oriundas do setor de servi\u00e7os \u2013 ganha outra import\u00e2ncia.O novo trabalhador da era P\u00f3s-Industrial, assim, por for\u00e7a da pr\u00f3pria atividade profissional e dos novos valores e aspectos sociais que se apresentam. Aproximam-se mais do produto, bem como do cliente-consumidor.Dessa forma, e sem aprofundamento, isso demanda, como dito anteriormente e apregoado por Sorj (2000) e outros, novas <em>expertises<\/em>, conhecimentos, habilidades, compet\u00eancias e novos aspectos relacionais na subjetividade desse <em>novo<\/em> trabalhador. Portanto, um novo curr\u00edculo e um novo envolvimento com o cliente-consumidor \u00e9 a nova t\u00f4nica (7 \u2013 13).Para fechar esta se\u00e7\u00e3o, os novos desafios e os novos paradigmas que se colocam para a nova gest\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es, portanto, \u00e9 o resgate do trabalhador com alma e com intelecto.<strong>III \u2013 Conclus\u00e3o.<\/strong>Bom, este tema \u00e9 complexo e suscita discuss\u00f5es intermin\u00e1veis. Por\u00e9m, o caminho metodol\u00f3gico adotado \u00e9 de que vivemos numa <em>sociedade de servi\u00e7os de cunho neoliberal<\/em> e que n\u00e3o podemos mais prescindir do RH. Por conta disto, e pelo exposto acima, essa \u00e1rea passa a ter uma nova responsabilidade (e import\u00e2ncia) mesmo que t\u00edmida e p\u00e1lida, que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o se tinha not\u00edcia.Esse <em>status<\/em> e considera\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto dessas novas demandas e press\u00f5es pontuadas acima. Do contr\u00e1rio, penso, que os capitalistas continuariam agindo e pensando da mesma forma que outrora. Ou seja, privilegiando m\u00e1quinas e processos em detrimento do homem.\u00a0 A seguir, relacionamos alguns pontos para nossa reflex\u00e3o:O capital humano neste novo mil\u00eanio ter\u00e1 que lidar, via de regra, com o <em>intang\u00edvel.<\/em> Portanto, n\u00e3o pode mais se conceber que este trabalhador seja gerenciado dentro da l\u00f3gica <em>taylorista-fordista<\/em> do in\u00edcio do s\u00e9culo passado;O trabalho continua (e continuar\u00e1) sendo <em>mercadoria<\/em>. Por\u00e9m, ter\u00e1 novo <em>status<\/em> e novas complexidades.Ou melhor, a l\u00f3gica da troca (capital <em>versus<\/em> trabalho) est\u00e1 sofrendo (e sofrer\u00e1) os devidos ajustes na medida em que o cliente-consumidor atua (e atuar\u00e1) diretamente na rela\u00e7\u00e3o aproximativa com o trabalhador.Ou seja, este fen\u00f4meno da <em>aproxima\u00e7\u00e3o<\/em> desses dois elementos (clientes e profissionais) esta requerendo um novo trabalhador e novas <em>expertises<\/em>, compet\u00eancias e um novo curr\u00edculo, bem como esta aproxima\u00e7\u00e3o est\u00e1 \u201cinterferindo\u201d (e interferir\u00e1) n\u00e3o s\u00f3 na forma de gerir pessoas, mas na subjetividade dos trabalhadores, entre outras.Somado a isto emergem novos nexos importantes: os culturais, os emocionais etc.\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Ainda, e sem esgotar este ponto nevr\u00e1lgico dessa equa\u00e7\u00e3o, tem a quest\u00e3o do Setor de Servi\u00e7os que trouxe para o mundo dos neg\u00f3cios uma nova forma de ver e gerir. Estas mudan\u00e7as est\u00e3o repercutindo n\u00e3o s\u00f3 no homem, mas nos processos, no <em>design<\/em> dos produtos, etc.;No novo mil\u00eanio saber trabalhar em equipe \u00e9 fator estrat\u00e9gico e imprescind\u00edvel. N\u00e3o se admite mais empresas que n\u00e3o invistam nisso e\/ou trabalhadores que n\u00e3o se posicionem nessa linha;A gest\u00e3o do conhecimento ser\u00e1 (e dever\u00e1 ser) outro fator que distinguir\u00e1 as organiza\u00e7\u00f5es do novo mil\u00eanio. Gerir conhecimento, portanto, passou a ser um novo (e grande) desafio para toda as organiza\u00e7\u00f5es. Assim, consolidar, alocar, duplicar, criticar, distribuir, armazenar, transferir conhecimento etc., dever\u00e1 ser a novo desafio das organiza\u00e7\u00f5es e dos homens nas organiza\u00e7\u00f5es;Ter capital humano com habilidades espec\u00edficas \u00e9 coisa do passado, bem como \u00e9 inimagin\u00e1vel neste novo mundo do conhecimento e da informa\u00e7\u00e3o, ter ainda profissionais com este perfil.Esses profissionais que n\u00e3o investe em novos conhecimentos e <em>expertises<\/em> acess\u00f3rias, n\u00e3o t\u00eam mais espa\u00e7o nas organiza\u00e7\u00f5es da Era P\u00f3s-Industrial.Conhecimento t\u00e9cnico \u00e9 importante, bem como \u00e9 requerido, mas ter <em>expertise<\/em> s\u00f3 em um determinado assunto, n\u00e3o basta e n\u00e3o gera <em>valor<\/em> e, muito menos, distinguir\u00e1 esse profissional dos demais;A quest\u00e3o da compet\u00eancia e do desenvolvimento dever\u00e1 ser uma preocupa\u00e7\u00e3o do trabalhador e das empresas. Por\u00e9m, h\u00e1 que se entender que elas (as empresas) n\u00e3o mais tutelar\u00e3o o desenvolvimento e a qualifica\u00e7\u00e3o de ningu\u00e9m.Cabe ao trabalhador planejar sua carreira. Ou melhor, cabe ao trabalhador entender que ela (sua carreira) \u00e9 que o manter\u00e1 empreg\u00e1vel e ser\u00e1 seu maior patrim\u00f4nio.Por outro lado, as organiza\u00e7\u00f5es dever\u00e3o investir em forma\u00e7\u00e3o e desenvolvimento profissional de seus colaboradores de forma intensa, constante e planejada.O desafio que se coloca para o RH \u00e9 o de saber com clareza que conhecimentos dever\u00e3o ser ministrados, quando, com que metodologia, que recursos e onde ministr\u00e1-los. Do contr\u00e1rio estes recursos financeiros empregados nestas a\u00e7\u00f5es de T&amp;D poder\u00e3o ser jogados no lixo e\/ou colocados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do concorrente<sup> <\/sup>;eAs empresas dever\u00e3o, nos pr\u00f3ximos anos, continuar investindo no conceito aprender coletivamente e continuamente. A empresas que n\u00e3o se adequarem a esta nova realidade conhecer\u00e1 mais rapidamente o fracasso e\/ou o esquecimento.Assim, e voltando a Introdu\u00e7\u00e3o, deve-se afirmar que uma empresa que tiver uma pol\u00edtica de RH diferenciada, ser\u00e1 buscada e endeusada pelos trabalhadores e pelos consumidores do novo mil\u00eanio. Ou seja, as organiza\u00e7\u00f5es que tiverem antenadas e sintonizadas com o novo momento dessa nova era, possivelmente, ter\u00e3o mais chances de ter seus trabalhadores mais envolvidos e satisfeitos no desempenho de suas atribui\u00e7\u00f5es e responsabilidades; e, no limite, esta organiza\u00e7\u00e3o ter\u00e1 clientes fi\u00e9is e replicando para os amigos esta satisfa\u00e7\u00e3o com a\u00a0 sua marca.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><strong>Notas:<\/strong>\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>1 \u2013 McChesney, 2006. Esta passagem pode ser encontrada na introdu\u00e7\u00e3o do livro \u201cO Lucro ou as Pessoas?\u201d, de Noam Chomsky(2006).\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>2 \u2013 Este termo foi cunhado por Harvey, David, em sua obra: Condi\u00e7\u00e3o P\u00f3s-Moderna.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Este conceito, basicamente, se ap\u00f3ia na flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e padr\u00f5es de consumo. Ou melhor, caracteriza-se pelo surgimento de setores de produ\u00e7\u00e3o novos, novas maneiras de fornecimento de servi\u00e7os financeiros, novos mercado etc; e, sobretudo, em taxas altamente intensificadas de inova\u00e7\u00e3o comercial, tecnol\u00f3gica e organizacional. Ainda, este conceito \u00e9 adotado em substitui\u00e7\u00e3o ao exaurido conceito da rigidez <em>fordista-taylorista<\/em> do in\u00edcio da Era Industrial (2006: 140).\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><strong>IV &#8211; Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/strong>\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>BRAVERMAN, Harry (1981). Trabalho e Capital Monopolista: A degrada\u00e7\u00e3o do trabalho no s\u00e9culo XXI. 3\u00aa Edi\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>CHOMSKY, Noam (2006). O Lucro ou as Pessoas? 5\u00aa Edi\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>DEJOURS, Christophe (2005). A Loucura do Trabalho: Estudo de psicopatologia do trabalho. 5\u00aa Edi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Editora Cortez.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>GORENDER, Jacob (1997). Globaliza\u00e7\u00e3o, Tecnologia e Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho. S\u00e3o Paulo: Institutos de Estudos Avan\u00e7ados da USP. Vol.11, N\u25e6 29, p. 311-361.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>HARVEY, David (2006). Condi\u00e7\u00e3o P\u00f3s-Moderna. 15\u00aa Edi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>SENNETT, Richard (2003). A Corros\u00e3o do Car\u00e1ter. Conseq\u00fc\u00eancias pessoais do trabalho no novo capitalismo. Rio de janeiro, Record.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>SORJ, Bila (2000). Sociologia e Trabalho: muta\u00e7\u00f5es encontros e desencontros. S\u00e3o Paulo: Revista Brasileira de Ci\u00eancias Sociais. Vol.15.N\u00b0 43.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Sobre o autor:<\/span><\/strong>\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><strong>Angelo Peres <\/strong>\u00e9 Mestre em Economia, P\u00f3s-graduado em Recursos Humanos, Marketing e Gest\u00e3o Estrat\u00e9gica, Doutorando em Educa\u00e7\u00e3o pela Universidade cat\u00f3lica de santa f\u00e9 \/ Argentina. Professor do Centro Universit\u00e1rio Celso Lisboa (UCL). Coordenador acad\u00eamico dos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o de Pessoas e Gest\u00e3o estrat\u00e9gica, do UCL, Palestrante e instrutor em programas de treinamento; S\u00f3cio-Gerente da P&amp;P Consultores Associados.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><strong>e-mail: <\/strong><a href=\"mailto:ppconsul@unisys.com.br\"><strong>ppconsul@unisys.com.br<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo procura apontar para algumas reflex\u00f5es sobre a import\u00e2ncia de se ter uma pol\u00edtica de RH antenada e sintonizada com o novo mil\u00eanio em curso. Ainda, e, no limite, aponta para a import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o dos gestores das organiza\u00e7\u00f5es nos rumos dessas pol\u00edticas, frente \u00e0 nova ordem econ\u00f4mica e social, bem como \u00e0s novas macro-transforma\u00e7\u00f5es que se apresentam na Era P\u00f3s-Industrial.<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[845,360],"tags":[],"table_tags":[],"class_list":["post-1227","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-angelo-peres","category-reler-1","no-post-thumbnail","entry"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1227","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1227"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1227\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1227"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1227"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1227"},{"taxonomy":"table_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/table_tags?post=1227"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}