{"id":12721,"date":"2014-09-01T00:00:59","date_gmt":"2014-09-01T03:00:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/?p=12721"},"modified":"2014-09-01T20:36:35","modified_gmt":"2014-09-01T23:36:35","slug":"dr-jekyll-e-mr-hyde-no-mundo-das-organizacoes-por-adm-wagner-siqueira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/dr-jekyll-e-mr-hyde-no-mundo-das-organizacoes-por-adm-wagner-siqueira\/","title":{"rendered":"Dr. Jekyll e Mr. Hyde no Mundo das Organiza\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_11660\" aria-describedby=\"caption-attachment-11660\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/wagner.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11660\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/wagner.jpg\" alt=\"Adm. Wagner Siqueira\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-11660\" class=\"wp-caption-text\">Adm. Wagner Siqueira<\/figcaption><\/figure>\n<p>O cl\u00e1ssico da literatura mundial \u201cO M\u00e9dico e o Monstro\u201d, de R. L. Stevenson, ilustra, com rara pertin\u00eancia, a fragmenta\u00e7\u00e3o atitudinal das grandes organiza\u00e7\u00f5es corporativas na cena mundial.<\/p>\n<p>A ambival\u00eancia esquizofr\u00eanica do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde se repete analogicamente com as macrocorpora\u00e7\u00f5es na sociedade de mercado, ora no exerc\u00edcio de pap\u00e9is de l\u00edderes mundiais na destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente, ora como organiza\u00e7\u00f5es premiadas como campe\u00e3s do desenvolvimento sustent\u00e1vel e da responsabilidade social.<\/p>\n<p>Essa dicotomia se refor\u00e7a ainda mais, e a dissocia\u00e7\u00e3o comportamental se realiza em plenitude, quando as organiza\u00e7\u00f5es colocam o desenvolvimento sustent\u00e1vel e a responsabilidade social como os seus paradigmas m\u00e1ximos de desempenho, integrantes destacados de seus c\u00f3digos de \u00e9tica, itens indispens\u00e1veis de suas estrat\u00e9gias de neg\u00f3cios, da defini\u00e7\u00e3o de suas miss\u00f5es e objetivos, de sua \u00e9tica empresarial como empresas-cidad\u00e3s.<\/p>\n<p>Quanto mais o n\u00edvel de consci\u00eancia das pessoas aumenta, no sentido de compreender que a situa\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica mundial cada vez mais se degrada, maior \u00e9 o discurso das organiza\u00e7\u00f5es de que elas s\u00e3o as mais fervorosas militantes da constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor.<\/p>\n<p>Autoavaliam-se como as empresas-cidad\u00e3s na transforma\u00e7\u00e3o e na humaniza\u00e7\u00e3o do homem em suas rela\u00e7\u00f5es historicamente inadequadas com o meio ambiente.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o da realidade, no entanto, \u00e9 acabrunhante: degrada\u00e7\u00e3o crescente dos solos, devasta\u00e7\u00e3o das florestas tropicais, aumento das \u00e1reas de desertifica\u00e7\u00e3o, polui\u00e7\u00e3o qu\u00edmica por metais pesados, agravamento das repercuss\u00f5es econ\u00f4micas e sociais provocadas pelos desastres naturais, degrada\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de acessibilidade \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, eros\u00e3o da diversidade biol\u00f3gica etc.<\/p>\n<p>Diante de tal realidade, as grandes organiza\u00e7\u00f5es se comportam como uma variante institucional do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde: as mesmas organiza\u00e7\u00f5es que defendem com unhas e dentes o desenvolvimento sustent\u00e1vel e a responsabilidade social s\u00e3o frequentemente as mesmas que, em surdina, exercem as maiores press\u00f5es para fazer fracassar quaisquer tentativas de governan\u00e7a corporativa mundial tanto quanto para n\u00e3o regulamentar os procedimentos necess\u00e1rios \u00e0 conten\u00e7\u00e3o dos efeitos do g\u00e1s estufa, ou para n\u00e3o cumprir o Protocolo de Kyoto, ou para n\u00e3o obter resultados positivos na Confer\u00eancia de Copenhagen, por exemplo.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que as grandes corpora\u00e7\u00f5es s\u00e3o percebidas como as maiores for\u00e7as de resist\u00eancia pol\u00edtica ao efetivo controle dos lixos, dos res\u00edduos e dos malef\u00edcios decorrentes da sociedade de mercado num mundo globalizado. Reagem, o quanto podem, a desenvolver processos produtivos bem mais sustent\u00e1veis, j\u00e1 que querem sempre adiar custos e eternizar ganhos.<\/p>\n<p>As ind\u00fastrias extrativas do petr\u00f3leo, do g\u00e1s e dos min\u00e9rios s\u00e3o as l\u00edderes dos abusos e das agress\u00f5es ao meio ambiente. Talvez, por isso, sejam as mais generosas no financiamento de ONGs.<\/p>\n<p>S\u00e3o seguidas \u00e0 dist\u00e2ncia pelas ind\u00fastrias de alimenta\u00e7\u00e3o e de bebidas. Logo depois, surge o segmento do vestu\u00e1rio e dos cal\u00e7ados como os maiores destruidores do meio ambiente. Finalmente, para completar esse quadro de horror ambiental, aparecem as tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para atenuar as repercuss\u00f5es das den\u00fancias e sopesar a indigna\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o mundial contra as mazelas que a a\u00e7\u00e3o corporativa provoca nas diferentes dimens\u00f5es do meio ambiente, as organiza\u00e7\u00f5es se valem de todos e de quaisquer meios: da corrup\u00e7\u00e3o \u00e0 viola\u00e7\u00e3o da liberdade de express\u00e3o e do direito de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 vida privada. N\u00e3o se circunscrevem apenas \u00e0 preponder\u00e2ncia econ\u00f4mica, mas exercem todo tipo de influ\u00eancia sobre a s institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e jur\u00eddicas. \u00c9 o direito p\u00fablico que se privatiza no interesse das organiza\u00e7\u00f5es. Tudo \u00e0 custa de muito lobby, que se pretende legal e moral.<\/p>\n<p>Tal protagonismo absolutamente indevido produz uma esp\u00e9cie de darwinismo institucional-legal, que evolui na constru\u00e7\u00e3o de leis, normas e sistemas que sempre lhes s\u00e3o favor\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u00c0 inexist\u00eancia de mecanismos institucionais-legais adequados, nacionais e internacionais, para a aplica\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es e \u00e0 quase certeza da inimputabilidade pelas faltas cometidas, agrega-se a privatiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil, cada vez mais tomada de assalto pelas influ\u00eancias subterr\u00e2neas das for\u00e7as de mercado.<\/p>\n<p>A chantagem da amea\u00e7a do desemprego pela paralisa\u00e7\u00e3o ou deslocamento das atividades empresariais para outros pa\u00edses \u00e9 o golpe de miseric\u00f3rdia em quaisquer tentativas cidad\u00e3s de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Assim, sob o manto protetor hip\u00f3crita das mais virtuosas profiss\u00f5es de f\u00e9 no destino do homem e da celebra\u00e7\u00e3o de pactos e de c\u00f3digos de \u00e9tica normalmente descumpridos, as organiza\u00e7\u00f5es enveredam por caminhos que ilustram muito bem as dificuldades do verdadeiro cidad\u00e3o em transpor a cortina do medo para realizar estudos comprobat\u00f3rios e denunciar os crimes financeiros, ambientais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos que s\u00e3o cometidos cotidianamente por aqueles que se apresentam cinicamente como os ap\u00f3stolos do bem comum.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\"><strong>Sobre o autor:<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #000000;\"><strong>Adm. Wagner Siqueira:\u00a0<\/strong>Vereador pelo Rio de Janeiro. Atual Presidente do Conselho Regional de Administra\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro e Membro da Academia Brasileira de Ci\u00eancias da Administra\u00e7\u00e3o. Foi Secret\u00e1rio de Administra\u00e7\u00e3o, Presidente do Riocentro e Secret\u00e1rio de Assist\u00eancia Social da Prefeitura do Rio. Consultor de organiza\u00e7\u00f5es e autor de livros e diversos artigos sobre as ci\u00eancias da Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\"><strong>site:\u00a0<a style=\"color: #326693;\" href=\"http:\/\/www.wagnersiqueira.com.br\/\"><span style=\"color: #326693;\">www.wagnersiqueira.com.br<\/span><\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #000000;\"><strong>e-mail:\u00a0<a style=\"color: #326693;\" href=\"mailto:wagners@attglobal.net\"><span style=\"color: #326693;\">wagners@attglobal.net<\/span><\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #326693;\" href=\"http:\/\/www.meurhnaweb.com.br\/\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/rhnydus.gif\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"82\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cl\u00e1ssico da literatura mundial \u201cO M\u00e9dico e o Monstro\u201d, de R. L. 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