{"id":2132,"date":"2010-10-31T22:01:55","date_gmt":"2010-11-01T00:01:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/?p=2132"},"modified":"2011-10-11T11:20:47","modified_gmt":"2011-10-11T14:20:47","slug":"diversidade-sera-que-existe-tolerancia-das-diferencas-nas-empresas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/diversidade-sera-que-existe-tolerancia-das-diferencas-nas-empresas\/","title":{"rendered":"Diversidade: ser\u00e1 que existe toler\u00e2ncia das diferen\u00e7as nas empresas?"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/rodrigoramos.gif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-2136\" title=\"rodrigoramos\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/rodrigoramos.gif\" alt=\"Rodrigo Ramos\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>\u201c\u00c9 preciso aceitar as diferen\u00e7as!\u201d<\/em><strong> <\/strong>\u2013<strong> <\/strong>Hoje em dia esta frase pode ser escutada em qualquer lugar onde existam grupos. Nas empresas, nas institui\u00e7\u00f5es religiosas, nas escolas, nas universidades, est\u00e1 na moda ouvir algu\u00e9m pronunci\u00e1-la de boca cheia. Por\u00e9m, ser\u00e1 que o ser falante j\u00e1 parou para refletir o que significa com profundidade o que \u00e9 aceitar a diversidade? Ser\u00e1 que acreditamos que apenas repetindo a frase seremos capazes de incorporar, no seu alto grau de valor, o que \u00e9 aceitar a diferen\u00e7a do outro?<\/p>\n<p>Incomodado diante dessas quest\u00f5es, gostaria de explanar algumas ideias sobre o que poder\u00edamos pensar o que significa aceitar, e\/ou tolerar as diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>Para isso, vou apresentar a ideia de diversidade a partir de 3 par\u00e2metros: a diversidade a partir da imagem; a diversidade a partir da palavra; e a diversidade a partir do fora de sentido.<\/p>\n<p><strong>A diversidade a partir da imagem<\/strong><\/p>\n<p>Isso faz parte da constitui\u00e7\u00e3o subjetiva de qualquer ser falante. Constru\u00edmos a nossa identidade a partir da interpreta\u00e7\u00e3o do que vivemos na rela\u00e7\u00e3o com a imagem do outro. Assimilamos desse outro, que tem grande poder de influ\u00eancia imagin\u00e1ria, muitas caracter\u00edsticas que adotamos com o objetivo de construir nossa pr\u00f3pria identidade. N\u00e3o nos surpreendemos quando na fase adulta persistem em nossa personalidade caracter\u00edsticas n\u00e3o verbais, semelhantes \u00e0queles que nos criaram. Quantas vezes ouvimos dizer coisas do tipo: <em>\u201csabe que eu tenho o mesmo tique do meu pai?\u201d; Nossa, ele assiste TV igual \u00e0 m\u00e3e; Por que voc\u00ea mastiga igual ao seu irm\u00e3o?\u201d. <\/em>Por uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia, precisamos do outro como espelho para nos direcionar como existir nesse mundo estranho e enigm\u00e1tico. Todos que nascem precisam de um modelo, de uma roupa para iniciar a caminhada e, at\u00e9 hoje, n\u00e3o inventaram lugar melhor para iniciar esta constitui\u00e7\u00e3o do que o n\u00facleo familiar.<\/p>\n<p>Felizmente, no meio do percurso, a partir do momento que come\u00e7amos a refletir, a questionar sobre nossa maneira de se colocar, de se apresentar, de se expor na rela\u00e7\u00e3o com o outro, tamb\u00e9m desconstru\u00edmos nossa auto-imagem. Com isso, temos a chance de lapidar, de reinventar, de nos desprender, ou mantermos alguns tra\u00e7os e s\u00edmbolos adquiridos no percurso da vida. E quanto mais experi\u00eancias diferenciadas com os outros vivenciamos, maior a amplia\u00e7\u00e3o e capacidade de reinven\u00e7\u00e3o da nossa imagem.<\/p>\n<p>Hoje em dia, no mundo globalizado, a imagem tem uma for\u00e7a avassaladora, capaz de fazer uma pessoa ampliar cada vez mais o seu \u201ceu\u201d a partir da sua capacidade de se interconectar com outros mundos, ainda mais com o fen\u00f4meno da internet. Ao contr\u00e1rio do que acontecia antigamente, hoje uma pessoa pode representar diversos pap\u00e9is em uma mesma vida. Esse \u00e9 o fen\u00f4meno do Orkut, que possibilita identificar-se a centenas de comunidades. N\u00e3o existe mais a rigidez de representar um papel onde voc\u00ea estiver. Hoje, o sujeito pode ser policial de tarde, \u00e0 noite dar aulas na Universidade e no final de semana ser mestre de bateria da escola de samba. S\u00e3o as consequ\u00eancias da diversidade expressadas nas imagens representadas na rela\u00e7\u00e3o com outro. Como comenta Jorge Forbes, vivemos o fen\u00f4meno da desidentifica\u00e7\u00e3o e da pluraliza\u00e7\u00e3o das identidades.<\/p>\n<p>Por conta dos fen\u00f4menos da \u00e9poca na qual vivemos, as empresas foram for\u00e7adas a adotar um estilo diferente de relacionamento entre seus colaboradores: <em>\u201c\u00e9 preciso aceitar as diferen\u00e7as!\u201d<\/em> \u2013 imperativo que vende a ideia de que aceitamos todos. N\u00e3o por acaso que a marca DOVE criou a \u201ccampanha pela real beleza da mulher\u201d. Esta estrat\u00e9gia genial de marketing reflete justamente um alinhamento com o contexto vivido nos dias atuais. Podemos dizer que a Unilever avisa a todos os viajantes: tolerar as diferen\u00e7as faz parte do neg\u00f3cio de qualquer empresa.<\/p>\n<p>Aceitar a diversidade a partir da imagem causa ecos h\u00e1 tempos, e isso \u00e9 muito importante e fundamental para iniciarmos o processo, n\u00e3o importa por onde este comece. Por\u00e9m, ser\u00e1 que este fen\u00f4meno, de aceitar v\u00e1rias vers\u00f5es, tem suas consequ\u00eancias a partir do par\u00e2metro da palavra e do fora de sentido?<strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>A diversidade a partir da palavra<\/strong><strong> <\/strong><\/p>\n<p>Associada a imagem, a diversidade entendida a partir da palavra \u00e9 representada tamb\u00e9m atrav\u00e9s daquilo que todo ser falante anuncia de suas pr\u00f3prias cren\u00e7as, valores, opini\u00f5es, lapsos, equ\u00edvocos, montando a trama de significantes que anunciam uma personalidade diferente em rela\u00e7\u00e3o a outros seres falantes.<\/p>\n<p>Pensando na ideia de que todo colaborador deve alinhar suas particularidades a vis\u00e3o, miss\u00e3o e os valores de uma empresa para fortalecer a execu\u00e7\u00e3o em busca de um objetivo comum, ser\u00e1 que as empresas conseguem desenvolver f\u00f3rmulas capazes de unir todas as diferen\u00e7as em um prop\u00f3sito maior e comum? Eis a quest\u00e3o! Ser\u00e1 que j\u00e1 existem grupos de trabalho que conseguem entender e agir com as diferen\u00e7as para depois alinhar e ajustar as energias em prol de um mesmo objetivo?<\/p>\n<p>Infelizmente, percebemos na maioria das empresas, dos l\u00edderes aos subordinados, que existem cren\u00e7as que acabam com a possibilidade de obter a aceita\u00e7\u00e3o da diversidade na \u00edntegra. E a maioria das vezes isso acontece porque aceitar as cren\u00e7as diferenciadas dos outros incomoda. Incomoda muito e exige muito esfor\u00e7o, todos os dias, compartilhar diferentes opini\u00f5es, sugest\u00f5es, pontos de vista e comportamentos. Representa uma constante for\u00e7a de descolamento do pr\u00f3prio narcisismo, uma experi\u00eancia de despeda\u00e7amento da pr\u00f3pria imagem para manter as portas da percep\u00e7\u00e3o abertas.<\/p>\n<p>Outro ponto importante de esclarecer, \u00e9 que existe uma adora\u00e7\u00e3o muito grande, um amor pr\u00f3prio, um narcisismo natural e enorme quando pessoas se sentem iguais umas as outras. As pessoas t\u00eam enorme prazer quando se reconhecem como espelhos. Quando todos se identificam como semelhantes, acontece satisfa\u00e7\u00e3o conforto, e como diria Guimar\u00e3es Rosa, \u201co animal satisfeito dorme\u201d. \u00c9 l\u00f3gico que identifica\u00e7\u00e3o e semelhan\u00e7a s\u00e3o pontos extremamente importantes para n\u00e3o causar ang\u00fastia nas pessoas. Precisamos do m\u00ednimo de seguran\u00e7a para trabalhar e conviver em grupo, mas o inc\u00f4modo da diferen\u00e7a \u00e9 essencial. Esse \u00e9 um dos grandes sabores dentre os paradoxos da vida.<\/p>\n<p>Agora, na via contr\u00e1ria ao exemplo anterior, quando existe diversidade, existe tamb\u00e9m, mesmo que seja no menor grau de tens\u00e3o, agressividade. \u00c9 como se diss\u00e9ssemos que aquilo que n\u00e3o se parece comigo, ou aquele que n\u00e3o tem a mesma opini\u00e3o que a minha me agride. Infelizmente este tipo de estrutura da nossa subjetividade trouxe consequ\u00eancias dr\u00e1sticas \u00e0 humanidade. Os gregos espartanos atiravam deficientes no precip\u00edcio, o nazismo deixou marcas de horror at\u00e9 hoje e os EUA gastam bilh\u00f5es destruindo a casa dos mu\u00e7ulmanos. Estes s\u00e3o apenas alguns exemplos de que a diversidade na imagem ou na palavra causa agressividade.<\/p>\n<p>Nas empresas brasileiras \u00e9 poss\u00edvel perceber maneiras veladas para lidar com a agressividade, surtida por causa da manifesta\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as. Ser diferente mexe, causa inc\u00f4modo. \u00c9 muito mais dif\u00edcil sustentar uma posi\u00e7\u00e3o diferente do que uma posi\u00e7\u00e3o onde todos pensam igualmente, por\u00e9m, \u00e9 muito mais entusi\u00e1stico e excitante do que a \u00faltima. A diferen\u00e7a causa confronto, mas encanta na inova\u00e7\u00e3o. Por isso, n\u00e3o resta d\u00favidas que os colaboradores que conseguem aceitar a diferen\u00e7a do outro est\u00e3o mais flex\u00edveis para aceitar a sua pr\u00f3pria diferen\u00e7a. Basta reinventar e estabelecer o slogan <em>\u201ca diferen\u00e7a do outro liberta a minha diferen\u00e7a\u201d, <\/em>para entendermos que<strong> <\/strong>\u00e9 saud\u00e1vel desconstruir a partir do que vejo de diferente no outro.<strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>A diversidade a partir do fora de sentido <\/strong><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Nosso maior medo n\u00e3o \u00e9 de sermos incapazes,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Nosso maior medo \u00e9 descobrir que somos muito mais poderosos do que pensamos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00c9 nossa luz e n\u00e3o nossas trevas, aquilo que mais nos assusta.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>(&#8230;)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Procurar ser med\u00edocre n\u00e3o vai ajudar em nada o mundo ou nossos filhos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>N\u00e3o existe nenhum m\u00e9rito em diminuir nossos talentos apenas para que os outros n\u00e3o se sintam inseguros ao nosso lado.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>(&#8230;)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Quando tentamos mostrar nossa Gl\u00f3ria, inconscientemente damos permiss\u00e3o para que nossos amigos possam tamb\u00e9m manifest\u00e1-la.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Quanto mais livres formos, mais livres tornamos aqueles que nos cercam.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Marianne Willianson)<strong> <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de desenvolver esta \u00faltima parte, \u00e9 preciso esclarecer que a \u00fanica pretens\u00e3o aqui \u00e9 clarificar a ideia de que existem fen\u00f4menos que persistem dentro de n\u00f3s que n\u00e3o podem ser classificados, pois escapam a qualquer tipo de localiza\u00e7\u00e3o categorial, ou qualquer tipo de pretens\u00e3o \u201cuniversal\u201d. Ao mesmo tempo, esses fen\u00f4menos s\u00e3o respons\u00e1veis por manter a roda das imagens e das palavras girando. Vou chamar esses fen\u00f4menos de fora de sentido, justamente para aproximar o conceito para mais perto do leitor. \u00c9 o que Jacques Lacan, pensador franc\u00eas, se prop\u00f4s a fazer durante mais de 50 anos nos seus Semin\u00e1rios, tentar aproximar as pessoas \u00e0 ideia de que existe algo que sempre escapa ao sentido. Basta ter um corpo que fala e a certeza de que um dia todos ir\u00e3o morrer para conscientizarmos de que o incompleto permanece dentro de n\u00f3s. No entanto, o mundo atual e seus excessos persistem em criar ilus\u00f5es de que existe completude nos produtos, nos saberes, nas ci\u00eancias, nos rem\u00e9dios, nas cirurgias, nos programas de TV, nas revistas, etc.<\/p>\n<p>O mais positivo disso tudo \u00e9 que os fen\u00f4menos fora de sentido n\u00e3o cessam de fazer furos nos nossos pensamentos e saberes, atrav\u00e9s das emo\u00e7\u00f5es, da dor, do equ\u00edvoco, dos lapsos, das piadas, do erro, dos sonhos e dos exemplos fora de s\u00e9rie. O ponto mais empolgante \u00e9 que cada ser falante tem seu jeito pessoal e, muitas vezes, singular de vivenciar esses fen\u00f4menos a partir do seu corpo. Principalmente quando ele entra em acordo de aceita\u00e7\u00e3o com a sua estranheza e assume com uma radical responsabilidade o estilo diferenciado de existir. Podemos agradecer todos os dias pela exist\u00eancia de pessoas inspiradoras, que brilharam com a sua estranheza como Steve Jobs, Salvador Dal\u00ed, Hermeto Pascoal, Michael Jackson, Lula, Eduardo Suplicy, Gon\u00e7alo Borges, etc. Essas pessoas, assim como tantas outras, permitem-se vivenciar seu lado estranho, seu equ\u00edvoco, sua diferen\u00e7a, sua luz e, com isso, inscrever sua diferen\u00e7a na sociedade.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que nas empresas as pessoas seriam capazes de identificar, reconhecer, aceitar e fazer funcionar os estilos fora de sentido, ao mesmo tempo alimentando a miss\u00e3o, a vis\u00e3o e os valores propostos por uma empresa?<\/p>\n<p>Acredito que esse seja o desafio de toda companhia. Ali\u00e1s, acredito que somente a partir do momento que aceitarmos todas essas diferen\u00e7as e legitim\u00e1-las, tal como Jorge Forbes destaca, os seres falantes, colaboradores, estar\u00e3o mais dispostos a se comprometer e se engajar em prol dos objetivos estrat\u00e9gicos estabelecidos.<\/p>\n<p>Eis a quest\u00e3o!<\/p>\n<p><strong>BIBLIOGRAFI<\/strong><strong>A<\/strong><\/p>\n<p>BURTET, Douglas. <em>A natureza do poder. Como atuam os l\u00edderes servidores.<\/em> Rio de Janeiro: Corifeu, 2006.<\/p>\n<p>FORBES, Jorge. <em>Voc\u00ea quer o que deseja?.<\/em> Rio de Janeiro: Best Seller, 2003.<\/p>\n<p>LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio, Livro 20 \u2013 Mais, ainda<\/em>, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1982.<\/p>\n<p><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Sobre o autor:<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>Rodrigo Ramos <\/strong>\u00e9<strong> <\/strong>Consultor, Psic\u00f3logo, com forma\u00e7\u00e3o em Psican\u00e1lise, MBA em Gest\u00e3o Empresarial e experi\u00eancia em Coordena\u00e7\u00e3o de Grupos. Atua h\u00e1 mais de 6 anos ministrando palestras e cursos com foco no desenvolvimento do potencial humano.<\/p>\n<p><strong>E-mail:\u00a0<a href=\"mailto:rodrigoramosconsultor@gmail.com\">rodrigoramosconsultor@gmail.com<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c\u00c9 preciso aceitar as diferen\u00e7as!\u201d \u2013 Hoje em dia esta frase pode ser escutada em qualquer lugar onde existam grupos. Nas empresas, nas institui\u00e7\u00f5es religiosas, nas escolas, nas universidades, est\u00e1 na moda ouvir algu\u00e9m pronunci\u00e1-la de boca cheia. 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