{"id":2712,"date":"2011-01-01T00:01:57","date_gmt":"2011-01-01T02:01:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/?p=2712"},"modified":"2011-12-30T20:16:52","modified_gmt":"2011-12-30T22:16:52","slug":"ana-lucia-de-matos-santa-izabelfazer-cozido-ser-consultor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/ana-lucia-de-matos-santa-izabelfazer-cozido-ser-consultor\/","title":{"rendered":"Fazer cozido; ser consultor"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/analucia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-2720\" title=\"analucia\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/analucia.jpg\" alt=\"Ana Lucia\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>Estive durante toda a manh\u00e3 envolvida em uma tarefa que muito prazer me deu. Estava criando um cozido. Atentem para a escolha do verbo. Criando disse eu; n\u00e3o fazendo ou cozinhando apenas.\u00a0Gosto muito de criar pratos como este que s\u00e3o aut\u00eanticos desafios. Para faz\u00ea-los s\u00e3o necess\u00e1rias muitas compet\u00eancias. \u00c9 preciso classificar, analisar, reunir, distribuir e tantas outras. \u00c9 preciso, sobretudo, possuir uma inf\u00e1vel compet\u00eancia a qual o nosso povo em sua singular pontaria denomina \u201c ter m\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Enquanto cozinhava, lembrei-me muito de minha av\u00f3: em\u00e9rita cozinheira. Mulher de inef\u00e1veis saberes. Quando fui tomando interesse pela nobre tarefa de aplacar a fome com engenho e arte, muitas vezes perguntei \u00e0 fada mor de nossa fam\u00edlia como fazer este ou aquele prato. Quase analfabeta, vov\u00f3 n\u00e3o possuia caderno de receitas. Sabia tudo de cor. E dizia: \u00e9 f\u00e1cil; vou ensinar. Mexia-se com a pompa simples de uma bailarina na cozinha entre fog\u00e3o \u00e0 lenha, mesa comprida e lustrosa , colheres de pau, vasilhas herdadas. E quando terminava a comida dizia gloriosa: viu? \u00c9 f\u00e1cil. E eu, pobre de mim, tentava reproduzir-lhe gestos, medidas, provares. Em v\u00e3o. Nunca sa\u00eda igual. Faltava-me a \u201cm\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>A conquista da \u201cm\u00e3o\u201d na cozinha foi para mim \u00e1rdua. Foi um processo lento saber que a m\u00e3o sabe a medida de sal e pimenta; que a m\u00e3o sabe antes do olho e do garfo o ponto de cozimento, a temperatura, a consist\u00eancia. Que a \u201c m\u00e3o\u201d d\u00e1 vida as prote\u00ednas, gorduras, a\u00e7\u00facares; \u00e9 a \u201c m\u00e3o\u201d que organiza nas fartas do cozido as coisas por assuntos bem dispostos, inebriantes, sedutores.<\/p>\n<p>Hoje, quando servi o cozido, os amigos maravilhados, louvara-me a \u201c m\u00e3o.\u201d Fiquei faceira.<\/p>\n<p>Um deles me perguntou se n\u00e3o sinto conflito entre ter \u201cm\u00e3o cheia\u201d na cozinha e meu of\u00edcio de consultora na \u00e1rea de Treinamento e Desenvolvimento.<\/p>\n<p>Espantei-me de fato. Conflito nenhum. Um bom consultor \u00e9 muito parecido com um cozinheiro. Assim como um cozinheiro precisa ter \u201dm\u00e3o\u201d para criar da mat\u00e9ria bruta\u00a0 pratos que alimentem o corpo e encantem o paladar, um consultor precisa trazer \u00e0 mente o fasc\u00ednio do conhecimento.<\/p>\n<p>Uma vez, vov\u00f3 ensinou-me que com os mesmos ingredientes que se faz um banquete, se faz uma lavagem. Quest\u00e3o se ter m\u00e3o. Ou como ela dizia, capricho.<\/p>\n<p>No mundo corporativo, muitas vezes nos deparamos com o fato lament\u00e1vel de treinamentos que se gastou tanto tempo, energia, dinheiro, serem inconclusivos, ineficazes e outros ins.<\/p>\n<p>Quer dizer, s\u00e3o t\u00e3o ruins como comida insosa, como caldo ralo e requentado. Treinamento que n\u00e3o seja instigante, que leve a pensar, que, enfim, n\u00e3o transforme, \u00e9 como comida ins\u00edpida, inodora e sem sabor.<\/p>\n<p>Treinamento bom \u00e9 o que desafia a mente a ver\/ver-se; que instiga a mente. Alia conhecimento, sentimentos, percep\u00e7\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es. \u00c9 refei\u00e7\u00e3o completa para o Ser.<\/p>\n<p>Bem, enfim, quer dizer, algu\u00e9m a\u00ed quer um cozido? Ou um treinamento? Sem conflito, sem conflito.<\/p>\n<p><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Sobre a autora:<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana L\u00facia de Matos Santa Izabel<\/strong> \u00e9 graduada em L\u00edngua Portuguesa e Literatura Brasileira, p\u00f3s-graduada em Administra\u00e7\u00e3o em Recursos Humanos, master em PNL. \u00c9 pesquisadora, consultora, professora, palestrante. Tem seus artigos publicados em jornais e revistas de circula\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p><strong>e-mail: <\/strong><a href=\"mailto:analucia@orioncomunicacao.com.br\"><strong>analucia@orioncomunicacao.com.br<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estive durante toda a manh\u00e3 envolvida em uma tarefa que muito prazer me deu. Estava criando um cozido. Atentem para a escolha do verbo. Criando disse eu; n\u00e3o fazendo ou cozinhando apenas. Gosto muito de criar pratos como este que s\u00e3o aut\u00eanticos desafios. 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