{"id":3348,"date":"2011-04-01T00:01:05","date_gmt":"2011-04-01T03:01:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/?p=3348"},"modified":"2011-10-11T14:57:31","modified_gmt":"2011-10-11T17:57:31","slug":"tom-coelhodezemprego-zero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/tom-coelhodezemprego-zero\/","title":{"rendered":"Desemprego Zero"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">\n<figure id=\"attachment_3445\" aria-describedby=\"caption-attachment-3445\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/tomcoelho.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3445\" title=\"tomcoelho\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/tomcoelho.jpg\" alt=\"Tom Coelho\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3445\" class=\"wp-caption-text\">Tom Coelho<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>&#8220;O desemprego do homem deve ser tratado como trag\u00e9dia e n\u00e3o como estat\u00edstica econ\u00f4mica.&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Papa Jo\u00e3o Paulo II)<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 1990, experimentei o sabor amargo do desemprego. Por op\u00e7\u00e3o, eu deixava um cargo de ger\u00eancia de filial numa empresa exportadora de caf\u00e9, onde desenvolvera ao longo de apenas dez meses um trabalho que a al\u00e7ou da 45\u00aa para a 21\u00aa posi\u00e7\u00e3o no ranking das maiores exportadoras brasileiras em seu segmento.<\/p>\n<p>Era o fim de um ciclo. N\u00e3o havia mais espa\u00e7o para crescimento dentro daquela estrutura. Foi quando cunhei a express\u00e3o \u201cbater com a cabe\u00e7a no teto\u201d.<\/p>\n<p>Tomada a decis\u00e3o, fui enfrentar a frialdade do mercado de trabalho. As expectativas de uma r\u00e1pida recoloca\u00e7\u00e3o eram elevadas. Afinal, eu era jovem, impetuoso, determinado e carregava na bagagem uma s\u00e9rie de realiza\u00e7\u00f5es concretas.<\/p>\n<p>O mundo real, no entanto, ensinou-me outras verdades. A tenra idade n\u00e3o era um aspecto positivo, mas uma fragilidade, pois \u201cgarotos\u201d de 21 anos de idade n\u00e3o podiam ter a experi\u00eancia exigida para cargos de supervis\u00e3o e ger\u00eancia \u2013 assim como \u201cvelhos\u201d de 45 anos simbolizavam arca\u00edsmo e retrocesso.<\/p>\n<p>Descobri tamb\u00e9m a exist\u00eancia de algumas regras para entrar no jogo. A forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica s\u00f3lida era a primeira delas. Isso significava, al\u00e9m de uma faculdade de renome, algo \u00f3bvio: o curso superior conclu\u00eddo. E eu abandonara meus estudos para assumir o cargo que me fora ofertado, pois seria exercido em outro Estado da federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aprendi, ainda, a irrelev\u00e2ncia de dominar o idioma p\u00e1trio, na linguagem falada e escrita, ante a flu\u00eancia em ingl\u00eas de outro candidato, o qual estaria sempre anos-luz \u00e0 frente, mesmo escrevendo exce\u00e7\u00e3o com dois ou quatro \u201cs\u201d ou pronunciando \u201cpoblema\u201d (sic) a cada duas frases.<\/p>\n<p>Em meio a tantas outras descobertas sobre como funciona o \u201csistema\u201d, observei sete longos meses passarem diante de meus olhos. Ao longo deste per\u00edodo, retomei os estudos, fiz uma s\u00e9rie de cursos pr\u00e1ticos complementares, reduzi minha pretens\u00e3o salarial. Mas ao t\u00e9rmino deste per\u00edodo, como n\u00e3o recebera nenhuma proposta concreta de trabalho, minhas reservas financeiras tinham se exaurido e a autoestima entrado em colapso.<\/p>\n<p><strong>Empreendedorismo de necessidade<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Dentro deste contexto, parti para a chamada \u201ccarreira solo\u201d. Era preciso fazer algo com o pouco de orgulho pr\u00f3prio que ainda me restava. Era preciso que eu me colocasse \u00e0 prova. Foi assim que abracei o empreendedorismo como op\u00e7\u00e3o de vida. Mais do que uma necessidade, foi minha t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Duas d\u00e9cadas se passaram desde ent\u00e3o. E o mercado de trabalho continua muito pr\u00f3ximo da realidade que experienciei. As restri\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 idade persistem. A forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica demanda, nos dias atuais, al\u00e9m do curso superior completo, uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o qualquer. O espanhol tem que acompanhar o ingl\u00eas, permanecendo o portugu\u00eas em segundo plano.<\/p>\n<p>O desemprego \u00e9 um acontecimento medonho. Quanto mais ele se prolonga, mais afeta negativamente o profissional. Quando atinge um pai ou um arrimo de fam\u00edlia, ent\u00e3o, assume conota\u00e7\u00e3o s\u00e1dica e perniciosa. Apenas quem vivenciou isso consegue entender o porqu\u00ea do olhar opaco e dos ombros arqueados daquele que n\u00e3o tem a possibilidade de dizer ao mundo a que veio.<\/p>\n<p>Por isso, quero convoc\u00e1-los a uma campanha pelo desemprego zero. Mas n\u00e3o se trata de uma mo\u00e7\u00e3o de \u00e2mbito governamental. Trata-se de uma atitude, de um lema, de uma profiss\u00e3o de f\u00e9. Trata-se de cada um de n\u00f3s firmarmos compromisso pessoal para buscarmos e permanecermos dignamente empregados, seja num neg\u00f3cio pr\u00f3prio ou de terceiros. Trata-se de voc\u00ea descobrir com a m\u00e1xima urg\u00eancia, acima e a despeito de tudo, qual sua voca\u00e7\u00e3o. E segui-la.<\/p>\n<p>Isso abrange tamb\u00e9m os \u201cempregados-desempregados\u201d, uma categoria de pessoas que vendem barato seus sonhos, exercendo atividades que n\u00e3o correspondem ao que seus cora\u00e7\u00f5es mandam, vagando pelo mundo corporativo como almas errantes.<br \/>\nEspero ver estas pessoas agraciadas pela autoconsci\u00eancia, para despertarem para quem s\u00e3o; presenteadas pela coragem, para fazerem o que desejam; estimuladas pela ousadia, para empreenderem por oportunidade; e sensibilizadas pela emo\u00e7\u00e3o, para levar este princ\u00edpio adiante, ofertando, sempre que poss\u00edvel, um novo posto de trabalho, industrializando a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Sobre o Autor:<br \/>\n<\/span><\/strong><br \/>\n<strong>Tom Coelho<\/strong> \u00e9 educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 pa\u00edses. \u00c9 autor de \u201cSete Vidas \u2013 Li\u00e7\u00f5es para construir seu equil\u00edbrio pessoal e profissional\u201d, pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros.<\/p>\n<p><strong>site: <a href=\"http:\/\/www.tomcoelho.com.br\">www.tomcoelho.com.br<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.setevidas.com.br\">www.setevidas.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>e-mail: <a href=\"mailto:tomcoelho@tomcoelho.com.br\">tomcoelho@tomcoelho.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio dos anos 1990, experimentei o sabor amargo do desemprego. 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