{"id":7429,"date":"2012-07-01T00:01:22","date_gmt":"2012-07-01T03:01:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/?p=7429"},"modified":"2012-07-01T00:14:09","modified_gmt":"2012-07-01T03:14:09","slug":"jeronimo-mendesa-arte-do-desapego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/jeronimo-mendesa-arte-do-desapego\/","title":{"rendered":"A Arte do Desapego"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_7449\" aria-describedby=\"caption-attachment-7449\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-7449\" title=\"Jer\u00f4nimo Mendes\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/jeronimomendes1.jpg\" alt=\"Jer\u00f4nimo Mendes\" width=\"150\" height=\"150\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-7449\" class=\"wp-caption-text\">Jer\u00f4nimo Mendes<\/figcaption><\/figure>\n<p>De quantos milh\u00f5es voc\u00ea precisa para sobreviver? De quantas casas, carros, joias, contas banc\u00e1rias, cart\u00f5es de cr\u00e9dito, celulares e outros bens dos quais milhares de pessoas n\u00e3o conseguem abrir m\u00e3o? Vale a pena acumular bens, t\u00edtulos, cargos e honrarias ao longo de uma vida inteira?<\/p>\n<p>Quanto desperd\u00edcio de energia vital, diria S\u00f3crates, fil\u00f3sofo da Gr\u00e9cia Antiga, se vivesse nos dias de hoje.\u00a0 S\u00e3o necess\u00e1rias milhares de horas de trabalho para sustentar as intermin\u00e1veis car\u00eancias do ser humano.\u00a0 Na pr\u00e1tica, ser\u00e1 que precisamos de tudo isso para viver relativamente bem?<\/p>\n<p>Minha profiss\u00e3o requer o envolvimento com diferentes tipos de pessoas, de diferentes empresas em diferentes cargos. N\u00e3o h\u00e1 como fugir da necessidade constante de lidar com pessoas e reposicion\u00e1-las sempre que necess\u00e1rio em processos de mudan\u00e7a e reestrutura\u00e7\u00e3o organizacional.<\/p>\n<p>Por mais profissional que voc\u00ea tente parecer, todo processo de mudan\u00e7a \u00e9 doloroso. Na maioria dos casos, lidamos com emo\u00e7\u00f5es o tempo todo e, por experi\u00eancia, posso afirmar que s\u00e3o poucos os que conseguem aceitar as mudan\u00e7as com o profissionalismo necess\u00e1rio para evitar a resist\u00eancia e facilitar a transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitas pessoas n\u00e3o entendem o rito de passagem. Ningu\u00e9m \u00e9 dono do cargo, da fun\u00e7\u00e3o, do crach\u00e1 ou do posto que ocupa, temporariamente, por mais comprometido que seja. Posi\u00e7\u00f5es s\u00e3o transit\u00f3rias, organiza\u00e7\u00f5es e l\u00edderes tamb\u00e9m, motivo pelo qual a resist\u00eancia e o excessivo apego ao cargo em nada contribuem para o crescimento pessoal e profissional do ser humano.<\/p>\n<p>Em geral, as pessoas preferem o cargo ao emprego, a morte \u00e0 simplicidade. \u00c9 duro chegar ao topo, entretanto, mais dif\u00edcil ainda \u00e9 manter-se nele, motivo pelo qual o desapego \u00e9 um desafio constante. Preparamo-nos para subir, nunca para descer, mas, por vezes, o processo \u00e9 inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Quando as \u00fanicas coisas que nos movem s\u00e3o o cargo, o dinheiro, a posi\u00e7\u00e3o social, os carros e os bens acumulados, tem algo de errado conosco. Tudo isso \u00e9 um meio e n\u00e3o um fim. Al\u00e9m do mais, quando o ter \u00e9 mais importante que o ser, o sofrimento \u00e9 maior.<\/p>\n<p>Senti isso na pele h\u00e1 oito anos quando fui demitido de uma grande empresa. Eu ocupava um cargo de confian\u00e7a, importante at\u00e9 onde eu imaginava, mas, de um dia para o outro, o cargo foi extinto com a mesma facilidade com a qual eu fui demitido.<\/p>\n<p>Nesse momento, o mundo desaba e, num estalar de dedos, voc\u00ea n\u00e3o tem mais cargo nem sal\u00e1rio nem crach\u00e1. \u00c9 como se lhe tirassem o ch\u00e3o e, logo abaixo, houvesse um po\u00e7o de jacar\u00e9s famintos. Quando existe apego em excesso, o recome\u00e7o \u00e9 uma batalha consigo mesmo. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 mais diretor nem gerente nem sequer aquele simples assistente dedicado.<\/p>\n<p>Por essas e outras raz\u00f5es, para muitos, somente a dor e a reflex\u00e3o s\u00e3o capazes de faz\u00ea-los amadurecer e repensar certos valores equivocados que, quando adotados, acabam afastando as pessoas da miss\u00e3o (voca\u00e7\u00e3o) original. Quanto maior o apego, maior a frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 bom ser abastado, ter dinheiro, ocupar cargos importantes, ser valorizado pela sociedade, mas isso n\u00e3o pode ser garantido para todos durante o tempo todo. O que ignoramos por completo representa bem mais para a sociedade: pobreza extrema, sustentabilidade do planeta, viol\u00eancia generalizada.<\/p>\n<p>O desapego \u00e9 uma arte que n\u00e3o se aprende da noite para o dia. Exige experi\u00eancia, amadurecimento, for\u00e7a de vontade, paz de esp\u00edrito. Todas as coisas s\u00e3o ef\u00eameras, dizia o Fernando Pessoa.<\/p>\n<p>Por experi\u00eancia comprovada, posso afirmar que, muito mais importante do que ocupar uma posi\u00e7\u00e3o de destaque na sociedade, \u00e9 trabalhar com afinco para viver com dignidade e transformar o mundo num lugar mais digno para se viver.<\/p>\n<p>Se isto n\u00e3o for suficiente para reflex\u00e3o, lembre-se das palavras de S\u00f3crates, fil\u00f3sofo grego, ao passear por uma feira de sup\u00e9rfluos naquela \u00e9poca: \u201cQuantas coisas sem as quais posso viver tranquilamente\u201d.<\/p>\n<p>Pense nisso e seja feliz!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Sobre o autor:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Jer\u00f4nimo Mendes<\/strong>: Administrador, Coach, Escritor e Palestrante, apaixonado por Empreendedorismo, Mestre em Organiza\u00e7\u00f5es e Desenvolvimento Local pela UNIFAE\/Curitiba-PR. Autor de Oh, Mundo C\u00e3oporativo! (Qualitymark), Benditas Muletas (Vozes) e Manual do Empreendedor (Atlas).<\/p>\n<p><strong>site: <a href=\"http:\/\/www.jeronimomendes.com.br\/\" target=\"_blank\">www.jeronimomendes.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-login.php?action=register\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6457\" title=\"Newsletter\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/2011.gif\" alt=\"Newsletter\" width=\"468\" height=\"60\" srcset=\"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/2011.gif 468w, https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/2011-300x38.gif 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 468px) 100vw, 468px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De quantos milh\u00f5es voc\u00ea precisa para sobreviver? De quantas casas, carros, joias, contas banc\u00e1rias, cart\u00f5es de cr\u00e9dito, celulares e outros bens dos quais milhares de pessoas n\u00e3o conseguem abrir m\u00e3o? Vale a pena acumular bens, t\u00edtulos, cargos e honrarias ao longo de uma vida inteira?<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1058,374],"tags":[1389,1388,1387,1393,1391,1392,1390],"table_tags":[],"class_list":["post-7429","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jeronimo-mendes","category-temas-4","tag-bens","tag-cartoes-de-credito","tag-conta-bancarias","tag-fim","tag-honrarias","tag-meio","tag-titulos","no-post-thumbnail","entry"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7429","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7429"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7429\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7429"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7429"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7429"},{"taxonomy":"table_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/table_tags?post=7429"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}