{"id":8186,"date":"2012-11-01T00:01:55","date_gmt":"2012-11-01T02:01:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/?p=8186"},"modified":"2012-10-30T19:01:23","modified_gmt":"2012-10-30T21:01:23","slug":"tom-coelhoa-etica-do-resultado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/tom-coelhoa-etica-do-resultado\/","title":{"rendered":"A \u00c9tica do Resultado"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_8226\" aria-describedby=\"caption-attachment-8226\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/tomcoelho.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8226\" title=\"Tom Coelho\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/tomcoelho.jpg\" alt=\"Tom Coelho\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8226\" class=\"wp-caption-text\">Tom Coelho<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"center\"><em>\u201cFins \u00e9ticos exigem meios \u00e9ticos.&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"center\">(Marilena Chau\u00ed)<\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o Y possivelmente nunca ouviu falar de G\u00e9rson de Oliveira Nunes, jogador de futebol que integrou a equipe campe\u00e3 mundial em 1970. Seu nome ficou eternizado quando, em 1976, protagonizou uma propaganda de cigarros na qual, ap\u00f3s desfilar os diferenciais do produto, proclamava: \u201cGosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem voc\u00ea tamb\u00e9m\u201d. Assim nasceu a \u201clei de G\u00e9rson\u201d, amplamente estudada por soci\u00f3logos e antrop\u00f3logos, utilizada para designar a natureza utilitarista do brasileiro.<\/p>\n<p>A estabilidade econ\u00f4mica advinda com o sucesso do Plano Real (1994), associada \u00e0s pol\u00edticas de transfer\u00eancia de renda da \u00faltima d\u00e9cada, conduziram-nos ao mercado de consumo. Experimentamos com uma defasagem de 50 anos o que norte-americanos vivenciaram em meados do s\u00e9culo passado. O controle da infla\u00e7\u00e3o e a expans\u00e3o do cr\u00e9dito fizeram-nos descobrir o prazer de comprar. E isso modificou nossos padr\u00f5es \u00e9ticos.<\/p>\n<p>Em ano de elei\u00e7\u00f5es esta constata\u00e7\u00e3o \u00e9 cristalina. N\u00e3o importam os esc\u00e2ndalos e desmandos de governos, em todos os seus n\u00edveis, revelados pela imprensa. Pouco importa a biografia dos candidatos. Torna-se insignificante a hist\u00f3ria dos partidos e os conchavos entre as legendas. A sociedade est\u00e1 anestesiada, porque foi entorpecida pela \u00e9tica do resultado.<\/p>\n<p>Nas escolas privadas, estudantes deixaram de ser aprendizes para se tornarem clientes. Assim, pagam uma mensalidade como quem compra um diploma em suaves presta\u00e7\u00f5es, exigindo n\u00e3o a qualidade de ensino, mas sim as facilidades para serem aprovados. Vale a pretensa inclus\u00e3o no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Nas empresas, fala-se em sustentabilidade e responsabilidade social, mas o caixa-dois e a sonega\u00e7\u00e3o fiscal s\u00e3o ostentados como imperativos para a competitividade. Vale a manuten\u00e7\u00e3o do lucro na voraz economia de mercado.<\/p>\n<p>Os cidad\u00e3os criticam e queixam-se dos abusos praticados pelos pol\u00edticos e pelo servi\u00e7o p\u00fablico, mas n\u00e3o hesitam em trafegar pelo acostamento, pedir desconto ao dentista para realizar um tratamento sem emiss\u00e3o de recibo ou mesmo obter uma carteirinha de estudante forjada para garantir desconto em eventos culturais. Vale a garantia de um benef\u00edcio pessoal.<\/p>\n<p>Dentro deste contexto, ressurge o princ\u00edpio maquiav\u00e9lico de que os fins justificam os meios. Isso explica nossos comportamentos e nossas escolhas. Mas tamb\u00e9m denota nossos valores e nossa omiss\u00e3o \u2013 ou coniv\u00eancia.<\/p>\n<p>Todo processo eleitoral \u00e9 emblem\u00e1tico para aflorar discuss\u00f5es desta estirpe, porque independentemente da ret\u00f3rica dos candidatos, do tempo de exposi\u00e7\u00e3o na m\u00eddia ou dos recursos financeiros envolvidos em uma campanha, a decis\u00e3o final \u00e9 do cidad\u00e3o que, solit\u00e1ria e sigilosamente, sentencia seu futuro e o da na\u00e7\u00e3o diante da urna.<\/p>\n<p>Muito valor \u00e9 dado \u00e0s elei\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias, ou seja, aquelas que elegem presidente, governadores, prefeitos e senadores. Mas \u00e9 importante alertar para a relev\u00e2ncia extrema das elei\u00e7\u00f5es proporcionais, isto \u00e9, a que seleciona deputados e vereadores, pois s\u00e3o estes os que mais pr\u00f3ximos estar\u00e3o do eleitor.<\/p>\n<p>A \u201clei de G\u00e9rson\u201d n\u00e3o sucumbiu, mas apenas ganhou nova roupagem. Precisamos resgatar a \u00e9tica da inten\u00e7\u00e3o em contraposi\u00e7\u00e3o a esta \u00e9tica do resultado. Urgentemente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Sobre o autor:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Tom Coelho <\/strong>\u00e9 educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 17 pa\u00edses. \u00c9 autor de \u201cSomos Maus Amantes \u2013 Reflex\u00f5es sobre carreira, lideran\u00e7a e comportamento\u201d (Flor de Liz, 2011), \u201cSete Vidas \u2013 Li\u00e7\u00f5es para construir seu equil\u00edbrio pessoal e profissional\u201d (Saraiva, 2008) e coautor de outros cinco livros.<\/p>\n<p><strong>site: <a href=\"http:\/\/www.tomcoelho.com.br\/\">www.tomcoelho.com.br<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.setevidas.com.br\/\">www.setevidas.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>e-mail: <a href=\"mailto:tomcoelho@tomcoelho.com.br\">tomcoelho@tomcoelho.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/curso\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6457 aligncenter\" title=\"Newsletter\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/2011.gif\" alt=\"Newsletter\" width=\"468\" height=\"60\" srcset=\"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/2011.gif 468w, https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/2011-300x38.gif 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 468px) 100vw, 468px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A gera\u00e7\u00e3o Y possivelmente nunca ouviu falar de G\u00e9rson de Oliveira Nunes, jogador de futebol que integrou a equipe campe\u00e3 mundial em 1970. 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