{"id":8962,"date":"2013-03-01T00:01:23","date_gmt":"2013-03-01T03:01:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/?p=8962"},"modified":"2013-02-26T22:28:47","modified_gmt":"2013-02-27T01:28:47","slug":"adm-wagner-siqueiraa-pesquisa-de-hawthorne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/adm-wagner-siqueiraa-pesquisa-de-hawthorne\/","title":{"rendered":"A Pesquisa de Hawthorne"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8975\" style=\"border: 0px currentColor;\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/1.png\" alt=\"\" width=\"342\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/1.png 342w, https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/1-300x226.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 342px) 100vw, 342px\" \/><\/p>\n<p>O que efetivamente demonstram as trag\u00e9dias dos suic\u00eddios e os sofrimentos psicol\u00f3gicos que estigmatizam o funcionamento das grandes corpora\u00e7\u00f5es empresariais em todo o mundo?<\/p>\n<p>As respostas, coment\u00e1rios e observa\u00e7\u00f5es de seus dirigentes oscilam entre o cinismo e a compaix\u00e3o, o apelo urgente e dram\u00e1tico aos m\u00e9dicos do trabalho, aos psic\u00f3logos e aos psiquiatras, ou as declara\u00e7\u00f5es arrogantes de nega\u00e7\u00e3o da realidade ou de ignor\u00e2ncia das circunst\u00e2ncias em que o cotidiano tr\u00e1gico se efetiva no mundo das rela\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>Mais do que tudo, os dirigentes demonstram desconhecer inteiramente as descobertas produzidas a partir das Pesquisas de Hawthorne, realizadas entre os anos 1920\/1930, sobre motiva\u00e7\u00e3o e produtividade, em verdade sobre os avan\u00e7os do conhecimento cient\u00edfico do comportamento humano no trabalho. Mais do que tudo, demonstram profunda ignor\u00e2ncia ou negam enfaticamente a import\u00e2ncia das intera\u00e7\u00f5es sociais na realidade do trabalho, descobertas cientificamente comprovadas desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez fosse conveniente sugerir aos que hoje det\u00eam o poder e a\u00a0responsabilidade diretiva no mundo das organiza\u00e7\u00f5es que se interessem efetivamente sobre o tema, come\u00e7ando pela leitura atenta de um livro essencial cujo t\u00edtulo original em ingl\u00eas \u00e9 \u201cManagement and the Worker\u201d, cujos autores s\u00e3o F.J. Roethlisberger e W.J.Dickson; o primeiro era professor de sociologia da Universidade de Harvard e o segundo era diretor de pesquisa da pr\u00f3pria Western Electric. Esse livro foi publicado originalmente em 1939, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Talvez, caro leitor, voc\u00ea me indague por que se deter na leitura de um texto t\u00e3o antigo, concebido e redigido num tempo bem distante do mundo tecnol\u00f3gico em que vivemos? Aparentemente a sua indaga\u00e7\u00e3o deveria levar tal obra para a lata do lixo da sociedade do conhecimento. Ledo engano!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8989\" style=\"border: 0px currentColor;\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/2.png\" alt=\"\" width=\"274\" height=\"223\" \/><\/p>\n<p>O livro trata de uma pesquisa \u2013 realizada na f\u00e1brica Hawthorne, da Western\u00a0Electric \u2013 que se transformou numa inacredit\u00e1vel senda cient\u00edfica, cujas descobertas e avan\u00e7os nas ci\u00eancias do comportamento humano no mundo do trabalho s\u00e3o t\u00e3o pertinentes hoje quanto foram \u00e0 \u00e9poca da referida publica\u00e7\u00e3o do livro.<\/p>\n<p>\u00c9 fant\u00e1stico: a natureza humana \u00e9 permanente e universal, n\u00e3o importam o tempo e o espa\u00e7o, o momento e o lugar. O que mudam s\u00e3o as circunst\u00e2ncias em que essa natureza humana se transfigura diante da realidade concreta vivenciada.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica inicial de Hawthorne tratava da velha e renovada quest\u00e3o da busca por maior produtividade e lucro. Nada diferente do que ora condiciona a a\u00e7\u00e3o gerencial dos tempos presentes. Mas, \u00e0 \u00e9poca, para aumentar tanto uma quanto outra, sem adicionar ainda maior fadiga e t\u00e9dio ao trabalho laboral, se resolveu conhecer melhor as condi\u00e7\u00f5es objetivas em que se dava o desempenho do trabalhador fabril.<\/p>\n<p>Foi em 1927 que se fez pela primeira vez o encontro entre a organiza\u00e7\u00e3o industrial e a organiza\u00e7\u00e3o acad\u00eamica na busca cient\u00edfica por resultados de desempenho empresarial. Esse estudo cientifico sui-generis n\u00e3o se interrompe nem mesmo sob a influ\u00eancia da grande crise econ\u00f4mica produzida pela queda da Bolsa de Nova York em 1929.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/3.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8993\" style=\"border: 0px currentColor;\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/3.png\" alt=\"\" width=\"242\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/3.png 242w, https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/3-213x300.png 213w\" sizes=\"auto, (max-width: 242px) 100vw, 242px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Simplificadamente, distingamos tr\u00eas etapas distintas da Pesquisa.A primeira se sustenta sobre a investiga\u00e7\u00e3o de um grupo de oper\u00e1rios com vistas a se compreender as rela\u00e7\u00f5es existentes entre a fadiga do trabalhador e as varia\u00e7\u00f5es de ritmo e de interrup\u00e7\u00f5es das jornadas laborais; de intervalos de jornadas de trabalho; de escalas e de rod\u00edzio de hor\u00e1rios; de dura\u00e7\u00e3o di\u00e1ria e semanal das jornadas.<\/p>\n<p>Tr\u00eas anos ap\u00f3s o in\u00edcio da pesquisa: absoluta perplexidade!<br \/>\nAs hip\u00f3teses iniciais de investiga\u00e7\u00e3o nada tinham a ver com as conclus\u00f5es. Por exemplo: por que em situa\u00e7\u00f5es sucessivas de trabalhos id\u00eanticos o desempenho individual n\u00e3o parava de aumentar? Perplexidade ainda maior porque estudos pr\u00e9vios que se sustentavam sobre os efeitos das condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas de ambiente sobre a fadiga dos oper\u00e1rios tinham constatado que a produtividade aumentava independentemente da varia\u00e7\u00e3o da intensidade da ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por duas vezes estava cientificamente comprovado que a interpreta\u00e7\u00e3o mecanicista da a\u00e7\u00e3o humana era factualmente desmentida. Mais surpreendente ainda: era justamente sob uma vis\u00e3o mecanicista que se sustentavam at\u00e9 ent\u00e3o tanto a representa\u00e7\u00e3o quanto a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, ambas decorrentes dos princ\u00edpios da Administra\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica.\u00a0Os pesquisadores n\u00e3o tinham como deixar de reconhecer que efetivamente ignoravam a realidade objetiva do trabalho empresarial. Era necess\u00e1rio conhec\u00ea-lo!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8999\" style=\"border: 0px currentColor;\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/4.png\" alt=\"\" width=\"248\" height=\"200\" \/><\/p>\n<p>A segunda etapa da Pesquisa de Hawthorne evolui, ent\u00e3o, por uma base de investiga\u00e7\u00e3o aparentemente contr\u00e1ria ao bom senso e aos primados da Administra\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica em que se afirmava o senso comum \u00e0 \u00e9poca.Para enveredar por uma realidade desconhecida foram concebidas e operadas enquetes de campo por meio da aplica\u00e7\u00e3o de question\u00e1rios.Estes foram logo abandonados por se mostrarem inefetivos. Afinal, a constru\u00e7\u00e3o dos itens de question\u00e1rios investigativos pressupunha o conhecimento pr\u00e9vio de uma realidade que exatamente se constatara ser ainda desconhecida.<\/p>\n<p>Optou-se pela realiza\u00e7\u00e3o de entrevistas livres com mais de 20 000 entrevistados, com observa\u00e7\u00f5es diretas, e longas e profundas an\u00e1lises in loco nos ambientes de trabalho.Uma vez mais as descobertas s\u00e3o surpreendentes para os pesquisadores.\u00a0 Os pesquisadores defrontam-se com uma dupla abertura te\u00f3rica de investiga\u00e7\u00e3o: tanto os estudos ps\u00edquicos da psicopatologia de Freud quanto os conhecimentos de etnologia, ou seja, o estudo cientifico das rela\u00e7\u00f5es em sociedade sob o ponto de vista da linguagem, dos costumes, das pol\u00edticas, da religi\u00e3o, da economia e da hist\u00f3ria s\u00e3o inusitadamente agregados \u00e0 an\u00e1lise da realidade empresarial em investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Inicia-se, assim, a terceira e mais decisiva etapa da Pesquisa de Hawthorne, que a partir da\u00ed vai se sustentar na an\u00e1lise de uma realidade empresarial ainda inexplorada. Isso vai permitir aos pesquisadores compreender a import\u00e2ncia da presen\u00e7a e da influ\u00eancia das organiza\u00e7\u00f5es ditas espont\u00e2neas ou informais, tamb\u00e9m conhecidos como grupos organizacionais prim\u00e1rios. Constata-se, inequivocamente, que esses grupos n\u00e3o s\u00e3o apenas onipresentes na vida empresarial, mais ainda que cada um deles se organiza por uma hierarquia social, por mecanismos pr\u00f3prios de controle e de autoridade , e por formas e maneiras de solidariedade e de apoio m\u00fatuo \u00e0 revelia da estrutura formal da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9001\" style=\"border: 0px currentColor;\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/5.png\" alt=\"\" width=\"243\" height=\"215\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 o sentimento de pertencimento de cada qual aos grupos informais que fixam o\u00a0sentido que os seus componentes atribuem ao seu trabalho e \u00e0 sua pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o de trabalho.A empresa desde ent\u00e3o n\u00e3o pode mais ser considerada como apenas um mero agregado de pessoas envolvidas na realiza\u00e7\u00e3o de um prop\u00f3sito comum. Concomitantemente \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o formal, oficial, ela cont\u00e9m e se vivifica por uma organiza\u00e7\u00e3o informal, invis\u00edvel, n\u00e3o aparentemente percebida, mais decisiva e de marcante influ\u00eancia.<\/p>\n<p>Nascem a sociologia Industrial e a Psicologia do Trabalho!<\/p>\n<p>Desde os prim\u00f3rdios da Pesquisa de Hawtorne, por d\u00e9cadas, muitas pesquisas e contribui\u00e7\u00f5es foram incorporadas ao melhor conhecimento da realidade das organiza\u00e7\u00f5es. De repente, como se num passe de m\u00e1gica, mergulha-se num obscurantismo anterior \u00e0s descobertas pioneiras de Hawthorne: ocorre o abandono, a nega\u00e7\u00e3o e a ignor\u00e2ncia pelo mundo empresarial das descobertas lentamente acumuladas pelas ci\u00eancias do comportamento humano aplicadas ao trabalho. Mormente a partir dos anos 1990, com a ado\u00e7\u00e3o irrestrita na vida empresarial cotidiana do ide\u00e1rio neoliberal Reagan\/Thatcher postulado para a sociedade de mercado.<\/p>\n<p>Em nome da valoriza\u00e7\u00e3o da concorr\u00eancia e da competi\u00e7\u00e3o e em busca da maximiza\u00e7\u00e3o dos lucros, as ger\u00eancias se dedicam agora a construir organiza\u00e7\u00f5es fundadas na individualiza\u00e7\u00e3o de metas e de objetivos, e na personaliza\u00e7\u00e3o de meios e de responsabilidades, de press\u00f5es e de avalia\u00e7\u00f5es, de pr\u00eamios e de puni\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9003\" style=\"border: 0px currentColor;\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/6.png\" alt=\"\" width=\"235\" height=\"184\" \/><\/p>\n<p>O novo imperativo categ\u00f3rico agora predominante no mundo do trabalho \u00e9 a\u00a0dedica\u00e7\u00e3o incondicional \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o, com todas as repercuss\u00f5es inafast\u00e1veis que tal devo\u00e7\u00e3o acarreta \u00e0 sobrecarga crescente de trabalho, ao afastamento progressivo do conv\u00edvio familiar e \u00e0 submiss\u00e3o incontrast\u00e1vel \u00e0s exig\u00eancias de mobilidade espacial e de disponibilidade temporal.<\/p>\n<p>As conseq\u00fc\u00eancias desta nova realidade organizacional n\u00e3o s\u00e3o dif\u00edceis de constatar: o que antes se chamava de rela\u00e7\u00f5es humanas est\u00e1veis hoje j\u00e1 n\u00e3o existem mais, substitu\u00eddas agora pela indiferen\u00e7a generalizada e pelo descaso de um com o outro. Cada um por si na luta contra todos impulsiona o capital competitivo, o prestigio e a constru\u00e7\u00e3o de imagem que v\u00e3o permitir e pavimentar a escalada do sucesso pessoal.<\/p>\n<p>\u00c9 a primeira vez, em escala t\u00e3o poderosa, que o mercado competitivo se transforma numa forma de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho. A sua extens\u00e3o e intensifica\u00e7\u00e3o massiva contribuem para a atomiza\u00e7\u00e3o social. Fragilizam-se os la\u00e7os de solidariedade e de apoio. Fortalecem-se as amea\u00e7as de demiss\u00e3o, o medo do desemprego e a submiss\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9005\" style=\"border: 0px currentColor;\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/7.png\" alt=\"\" width=\"349\" height=\"145\" srcset=\"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/7.png 349w, https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/7-300x124.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 349px) 100vw, 349px\" \/><\/p>\n<p>As estruturas sociais informais s\u00e3o varridas pelo regime da competi\u00e7\u00e3o individual generalizada.\u00a0A propalada colabora\u00e7\u00e3o e a solidariedade do trabalho em equipe passam a ser, no m\u00e1ximo, meros fact\u00f3ides intelectualistas a serem reverberados em eventos \u201cpoliticamente corretos\u201d sob os ausp\u00edcios das organiza\u00e7\u00f5es promotoras. Apenas pe\u00e7as de discursos que nada t\u00eam a ver com a realidade concreta do mundo do trabalho.Os argumentos econ\u00f4micos, no entanto, est\u00e3o longe de explicar o predom\u00ednio comportamental dessas novas ger\u00eancias neoliberais das organiza\u00e7\u00f5es modernas.<\/p>\n<p>Toda forma de organiza\u00e7\u00e3o \u00e9, em si mesma, uma t\u00e9cnica instrumental de domina\u00e7\u00e3o social. Ela \u00e9 funcional, n\u00e3o \u00e9 substantiva.Convivemos agora com a destrui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das estruturas sociais espont\u00e2neas, ou seja, das organiza\u00e7\u00f5es informais ou dos grupos prim\u00e1rios existentes dentro das organiza\u00e7\u00f5es formais, quer sejam elas interna quer sejam externas, como a fam\u00edlia e as diferentes formas comunit\u00e1rias de associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que a viol\u00eancia social n\u00e3o \u00e9 inusitada na vida das organiza\u00e7\u00f5es. Ela sempre pontificou na realidade organizacional desde os prim\u00f3rdios do capitalismo primitivo. O inusitado \u00e9 a forma em que a viol\u00eancia social se transveste agora na vida empresarial neste primeiro quartel de mil\u00eanio.<\/p>\n<p>A dramaticidade da viol\u00eancia dos tempos atuais ser\u00e1 mais bem compreendida se voltarmos os olhos ao passado em busca dos resultados fundamentais da Pesquisa de Hawthorne.\u00a0Os pesquisadores n\u00e3o se contentaram em evidenciar uma realidade at\u00e9 ent\u00e3o ignorada pelo mundo das organiza\u00e7\u00f5es. Tentaram tamb\u00e9m interpret\u00e1-la, valendo-se sobretudo da teoria sociol\u00f3gica de \u00c9mile Durkheim, que se fundamentava num corpo de concep\u00e7\u00f5es sobre as rela\u00e7\u00f5es existentes entre as estruturas sociais, a integra\u00e7\u00e3o social e o que ele chamava de anomia. Conclu\u00edram: a estrutura social integra a pessoa \u00e0 normalidade assim como a sua inexist\u00eancia a faz mergulhar no caos de regras, de pr\u00e1ticas e de processos contradit\u00f3rios. Em verdade, os pesquisadores da Western Electric nos mostraram exatamente o que hoje novamente se constata: a aus\u00eancia do fato coletivo ou do grupo social conduz o individuo \u00e0 infelicidade, \u00e0 tristeza, \u00e0 desgra\u00e7a e \u00e0 loucura.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9007\" style=\"border: 0px currentColor;\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/8.png\" alt=\"\" width=\"393\" height=\"357\" srcset=\"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/8.png 393w, https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/8-300x272.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 393px) 100vw, 393px\" \/><\/p>\n<p>Que sejam tratadas simultaneamente as almas e os corpos, ou seja, tanto a\u00a0organiza\u00e7\u00e3o informal quanto a formal.\u00c9 preciso parar de buscar as causas do atual sofrimento predominante nas grandes corpora\u00e7\u00f5es l\u00e1 onde elas n\u00e3o est\u00e3o por absoluto desconhecimento donde elas efetivamente est\u00e3o: no ambiente social.Chega de considerar como normal, habitual, at\u00e9 mesmo necess\u00e1rio como um imperativo categ\u00f3rico da sociedade de mercado, a desconstru\u00e7\u00e3o das estruturas sociais que regem a exist\u00eancia humana no mundo do trabalho.<\/p>\n<p>\u201cO homem \u00e9 um animal social!\u201d. Esta realidade cientificamente comprovada pelas investiga\u00e7\u00f5es de Hawthorne, considerada por elas como uma quase lei social, n\u00e3o pode continuar a ser ignorada por aqueles que det\u00eam o poder gerencial nas organiza\u00e7\u00f5es neste primeiro quartel de mil\u00eanio.<\/p>\n<p><strong>Sobre o autor:<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_8973\" aria-describedby=\"caption-attachment-8973\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8973\" title=\"Adm. Wagner Siqueira\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/wagner.jpg\" alt=\"Adm. Wagner Siqueira\" width=\"150\" height=\"150\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-8973\" class=\"wp-caption-text\">Adm. Wagner Siqueira<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Adm. Wagner Siqueira: <\/strong>Vereador pelo Rio de Janeiro. Atual Presidente do Conselho Regional de Administra\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro e Membro da Academia Brasileira de Ci\u00eancias da Administra\u00e7\u00e3o. Foi Secret\u00e1rio de Administra\u00e7\u00e3o, Presidente do Riocentro e Secret\u00e1rio de Assist\u00eancia Social da Prefeitura do Rio. Consultor de organiza\u00e7\u00f5es e autor de livros e diversos artigos sobre as ci\u00eancias da Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>site: <a href=\"http:\/\/www.wagnersiqueira.com.br\/\">www.wagnersiqueira.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>e-mail: <a href=\"mailto:wagners@attglobal.net\">wagners@attglobal.net<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/curso\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6457 aligncenter\" title=\"Anunciar\" src=\"http:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/2011.gif\" alt=\"Anunciar\" width=\"468\" height=\"60\" srcset=\"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/2011.gif 468w, https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/2011-300x38.gif 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 468px) 100vw, 468px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que efetivamente demonstram as trag\u00e9dias dos suic\u00eddios e os sofrimentos psicol\u00f3gicos que estigmatizam o funcionamento das grandes corpora\u00e7\u00f5es empresariais em todo o mundo?<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[373,901],"tags":[2746,1715,953,452],"table_tags":[],"class_list":["post-8962","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-temas-3","category-wagner-siqueira","tag-motivacao","tag-pesquisa-de-hawthorne","tag-produtividade","tag-relacoes-de-trabalho","no-post-thumbnail","entry"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8962","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8962"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8962\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8962"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8962"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8962"},{"taxonomy":"table_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rhevistarh.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/table_tags?post=8962"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}